A megaoperação no Rio de Janeiro
A megaoperação policial que aconteceu nos complexos do Alemão e da Penha (foto), no Rio de Janeiro, para prender integrantes do Comando Vermelho, expôs as dificuldades das forças policiais em combater aqueles agentes delituosos. Abaixo seguem alguns comentários.
Os complexos do Alemão e da Penha são compostos de várias favelas (ou comunidades) que se entrelaçam e se expandem pelos morros onde se encontram. O conjunto de vias (ruas, travessas, trilhas etc.) formam tecidos urbanos desordenados, de origem vernacular, que prejudicam a insolação e a salubridade de vários imóveis, vias de acesso, espaços vazios e outros.
Embora haja projetos de urbanização de favelas para melhorar a qualidade de vida dos moradores, mediante a derrubada de barracos impróprios à habitação, alargamento de caminhos, ruas, travessas e outras vias, reformas de habitações e locais de comércio, edifícios para a educação e espaços ao lazer e atividades esportivas, tais projetos não conseguem solucionar todos os problemas, os quais continuam em emaranhados confusos, sinuosos e sombrios.
Aludidos traficantes neles se imiscuem, com o intuito de se esconderem da justiça e formarem o próprio território de domínio, como se fossem um ou mais “feudos”, patrulhados por eles. Nestes territórios atuam em benefício próprio e põem em risco a segurança e a vida dos moradores de bem, que exercem atividades laborais lícitas e sem vínculos com o narcotráfico.
Coagem vários deles com frequência para cobrar por proteção compulsória e, quando a polícia vai de encontro aos referidos criminosos, estes se espalham pelos territórios que dominam, invadem várias residências e outros ambientes, e dos moradores fazem de escudos contra a ação policial, cujos policiais ficam à mercê dos tiros de revólveres e fuzis e das rajadas de metralhadoras daqueles meliantes, defendidos com pessoas inocentes.
Surgem ambientes hostis nas favelas, nas quais projéteis, dos mais diversos, cruzam e entrecruzam vários lugares (comércios, edifícios, espaços e habitações), atingem tudo o quanto estiver nos trajetos como caixas de luz, garrafas, paredes, portas e janelas, tambores de óleo ou de querosene, telhados, animais domésticos e, principalmente, as pessoas inocentes (em geral) e as utilizadas de escudos (em especial) pelos traficantes.
Conclusivamente, nesses campos de batalha surgem responsabilidades pelas lesões e mortes dos inocentes. A polícia é muito prejudicada, tratada como algoz daqueles moradores, quando seus reais verdugos são os traficantes combatidos pela justiça. São eles e seus aliados que mais contribuem para esses ambientes hostis e não medem esforços em destruir vidas alheias, imiscuídos nos emaranhados confusos, sinuosos e sombrios que os ocultam dos agentes da justiça. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.