Uma rodoviária em implantação
A implantação da nova estação rodoviária, no km 106 da rodovia Raposo Tavares, foi causa de críticas em relação à localização que, para várias pessoas deveria ser construída na zona norte de Sorocaba, ao final da avenida Itavuvu, próxima da rodovia Castelo Branco.
Seguem alguns comentários.
Num exame preliminar, essa localização sugerida parece ser adequada aos habitantes, principalmente se considerar as necessidades de transporte público à maioria deles, dos quais muitos habitam aquela região da cidade. Mas, ao examiná-la com mais afinco, seria inadequada à finalidade do projeto.
Uma estação rodoviária tem o objetivo de realizar o transporte público intermunicipal e interestadual ao longo de vários anos, a somar décadas, para diluir o investimento e fazê-lo retornar pelo período de atendimento ao público. Em razão desta finalidade as vias urbanas à rodoviária devem ser dimensionadas para dar vazão ao tráfego por toda a extensão do trajeto e pelos anos que a rodoviária deverá servir à população e aos demais usuários.
A zona norte de Sorocaba se encontra consolidada sob o foco das tipologias urbanas, nela há diversas construções que acompanham o traçado da avenida Itavuvu por vários quilômetros, nos quais o tráfego de veículos varia de intensidade nos dias e horários. Se a nova rodoviária fosse construída lá, o passar do tempo muito o aumentaria e causaria congestionamentos com mais frequência, que prolongariam o tempo de percurso dos veículos inclusive dos ônibus até o destino.
Alargar a aludida avenida exigiria muitas intervenções de desapropriação pela Prefeitura, que poderiam atrasar a ampliação das faixas de rodagem de ida e volta pela referida. De uma solução inicialmente salutar, possivelmente benéfica, transformar-se-ia num imbróglio urbano de dificultosa solução, em prejuízo da população em geral.
A área escolhida pela Prefeitura foi mais adequada por ter espaço necessário e suficiente à implantação da nova rodoviária e das vias urbanas que a conectarão com outras regiões da cidade, cujas vias terão a oportunidade de serem desenhadas para atender aos fluxos de veículos pelo mesmo período que a nova rodoviária servirá à população e aos outros usuários.
Deverão ser planejadas para dar vazão à movimentação de veículos e pessoas que sigam para lá e de lá retornem a qualquer dia e horário. Quanto às desapropriações, não serão necessárias ou, se forem, serão em menor quantidade do que na zona norte de Sorocaba, por não haver ou haver poucas tipologias urbanas naquela área.
Conclusivamente, a localização da implantação da nova rodoviária atende à mobilidade urbana, em conexão com ulteriores vias (de ida e volta) desenhadas para acolher o tráfego de veículos e pessoas a qualquer dia e horário, em benefício de diversas regiões da cidade, dos habitantes e de quem mais faça uso dela. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista.