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Celso Ming

Mais energia, mas com distorções

23 de Setembro de 2024 às 22:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
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. (Crédito: AGÊNCIA BRASIL)

 

As fontes de energia renováveis, especialmente eólica e solar, continuam se expandindo com força e intensidade.

Como apontam os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos mais de 7 gigawatts (GW) adicionados à capacidade instalada neste ano (metade da potência da Usina de Itaipu, a maior da América do Sul), cerca de 3,5 GW foram de fonte solar e 3,0 GW, de eólica. Juntas correspondem hoje a cerca de 23% da matriz de energia elétrica do País.

Esse crescimento da potência instalada acontece em meio a uma das maiores secas que o País já enfrentou, vem não só encarecendo a conta de luz, mas, também, pressionando o sistema, o que, por sua vez, acentua o risco de apagão nos próximos meses.

Outro grande destaque é a geração solar distribuída, modalidade em que os consumidores produzem a própria energia por meio de placas solares. Avançou 5,89 GW no Brasil até setembro. Ao todo são 2,85 milhões de sistemas fotovoltaicos em funcionamento, com capacidade instalada de 32,4 GW.

No entanto, dado o excesso de oferta de energia que a demanda não acompanha, o Operador Nacional do Sistema, em consequência da limitação operacional da rede de transmissão, é obrigado a realizar cortes de carga na geração que afetam as fontes intermitentes, aquelas que não podem gerar energia por restrições de recursos, como é o caso das usinas solares à noite ou em dia de chuva, ou das centrais eólicas, quando o vento é fraco. Essa intermitência causa variabilidade no sistema e acionamento de outras fontes, como as térmicas, de modo a garantir a segurança do fornecimento.

De todo o modo, o avanço das renováveis contribui para manter a matriz brasileira mais limpa em relação ao resto do mundo, fator de grande valia em tempos de descarbonização da economia.

O País poderia utilizar essa vantagem competitiva para organizar o setor e se lançar como player para oferecer segurança energética no mercado internacional, mas o excesso de intervencionismo e de protecionismo atrasa o desenvolvimento.

A hora é de repensar a melhor forma de expandir a geração renovável, com foco no desenvolvimento da cadeia interna e de novas tecnologias — e não apenas em subsídios diretos e indiretos, que causam distorções e limitam investimentos.

A aprovação do marco legal do hidrogênio verde é passo importante para dar melhor direcionamento para essa sobrecarga de energia limpa. Já o PL que regula a produção de energia em eólicas em alto-mar (offshore) segue parado no Senado depois de ter sido enxertado com jabutis pelos deputados.

Celso Ming é comentarista de Economia, com colaboração de Pablo Santana.