AI: que destino nos aguarda?

Questiona-se se a referida será sempre utilizada para nos beneficiar ou se, em algum momento, poderá (ou irá) nos prejudicar

Por Cruzeiro do Sul

 

Na época atual estamos diante da inteligência artificial (AI), criada para favorecer a humanidade em tarefas perigosas à vida, saúde e segurança individual ou coletiva, de difícil execução e de serviços indesejados por quem não os queira realizá-los. Abaixo seguem alguns comentários.

A primeira revolução industrial (1760 - 1840), na Inglaterra, inaugurou o uso da máquina em substituição à mão de obra humana e assim se tornou irreversível. A ciência seguiu o caminho do desenvolvimento, de descobertas e invenções então tidas por impossíveis, inverossímeis ou fantasiosas (o trem e a fotografia, por exemplo).

Do final do século 19 ao início do 20 muitas foram as invenções e descobertas, como o telefone, a energia e a lâmpada elétrica, o automóvel, o raio x, o cinema, o avião e outros inventos e inovações que surgiram posteriormente.

Iniciou-se o século 20 sob o manto da ciência, da tecnologia e, também, da crença de que vieram para beneficiar a humanidade, levá-la ao ápice da harmonia, bem-estar e da paz entre nações. Assim foi entendido até o início da então Grande Guerra, que ceifou vinte milhões de vidas ao longo de quatro anos (1914 - 1918).

Foi ela a mais desastrosa guerra conhecida naquela ocasião, o que fez a humanidade repensar a finalidade da ciência e concluir que também podia ser utilizada para prejudicar pessoas e nações, na razão dos interesses políticos e econômicos e na medida da produção de equipamentos militares.

A Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) endossou esse entendimento e pôs uma pá de cal sobre as remanescentes brasas dos pensadores que ainda criam na ciência enquanto fonte do sucesso moral e ético da humanidade. De lá para cá o tempo passou, a ciência e a tecnologia avançaram e nos encontramos em situação semelhante.

A tecnologia do início do século 20 evoluiu, transformou-se e atingiu a nossa época sob o manto científico que fez surgir a inteligência artificial. O delírio da humanidade por essa tecnologia assim se assemelha ao daquelas pessoas pelas invenções que surgiram no início do século passado para facilitar a vida de cada um.

Assim como aquelas na virada do século 19 para o 20, a inteligência artificial surgiu para beneficiar a humanidade, levá-la ao ápice da harmonia, bem-estar e, provavelmente, atingir a paz entre as nações. Questiona-se se a referida será sempre utilizada para nos beneficiar ou se, em algum momento, poderá (ou irá) nos prejudicar. Motivos políticos e econômicos sempre existiram e foram o supedâneo que desvirtuou a finalidade da ciência e da tecnologia no início do século passado.

Conclusivamente, a inteligência artificial surgiu com as mesmas promessas de progresso com que surgiram aquelas invenções na virada do século 19 para o 20, as quais perderam o foco do sucesso moral e ético devido a interesses maiores do que a finalidade inicial. Diante destas similitudes históricas, que destino a AI nos aguarda?

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista