Sorocaba precisa fazer a lição de casa
Em pleno século 21, a população urbana está sempre às voltas com o problema do abastecimento de água. Algumas cidades ao entorno de Sorocaba têm vivido esse drama
Os nossos ancestrais não tinham outro recurso, senão cumprir à risca, as regras na natureza para garantir a sua sobrevivência. Assim acontecia com o período certo para colocar na terra as sementes, depois a colheita e assim com outras tarefas que eles executavam naquela época.
Com a passagem do tempo, o ser humano foi evoluindo, deixando registrado seus feitos, em várias etapas da história, até chegar aos nossos dias. Não é de hoje, que as pessoas sabem que a natureza possui determinadas forças, e que é inútil lutar contra elas, como a água, o fogo e o vento. Até por uma questão de sobrevivência, o bom senso e a prudência recomendam não contrapô-las, devendo mesmo, por sua supremacia, obedecê-las.
Em pleno século 21, a população urbana está sempre às voltas com o problema do abastecimento de água. Algumas cidades ao entorno de Sorocaba têm vivido esse drama.
Até mesmo a “Manchester Paulista” esteve, não faz muito tempo, na iminência de controlar a distribuição desse precioso líquido aos seus consumidores, porque o nível de armazenamento de água na represa de Itupararanga chegou ao ponto crítico, ou seja, abaixo de 30%.
Todavia, ao que parece, neste ano, São Pedro resolveu abrir, para valer, as torneiras lá de cima e o corrente mês de fevereiro, já demonstra ser o mais chuvoso dos últimos dez anos.
O resultado desse excesso de chuva, foi o transbordamento do rio Sorocaba e o alagamento das partes mais baixas da cidade, a qual emprestou seu nome ao citado rio. A consequência foi, mais uma vez, o alagamento do Parque das Águas e do bairro Vitória Régia.
Poderia causar espécie, se isto tivesse acontecido pela primeira vez; mas, infelizmente, trata-se da repetição de ocorrências da mesma natureza, deixando moradores, novamente, com o prejuízo.
Embora tenha se passado pouco mais de uma semana da última invasão indesejada das águas nesses locais, não é demais recordar que o burgomestre Sorocabano, Rodrigo Manga, irrogou a responsabilidade daquela enchente à vazão da represa de Itupararanga.
Infelizmente, o tal “lavar as mãos” não foi condizente com a verdade, porque, se realmente, a administração da represa de Itupararanga houvesse aberto em demasia as comportas da represa, sem dúvida, as partes baixas de Votorantim, também sofreriam as mesmas consequências dos referidos bairros de Sorocaba.
Sem dúvida, para sanar de vez esse enorme problema que tira o sossego e o sono, além de provocar grandes prejuízos financeiros para muitos moradores dos aludidos bairros ribeirinhos, a Prefeitura Municipal de Sorocaba precisa realizar com urgência, logo após o início do período de estiagem, um trabalho de afundamento do leito do rio Sorocaba, bem como, ainda que sacrificando a vegetação das suas margens, alarga-las para proporcionar o escoamento das águas, ainda que haja necessidade de abertura maior das comportas da represa de Itupararanga, caso ocorra um período de chuvas prolongadas, como neste mês de fevereiro.
Esse vultoso trabalho de afundamento e desassoreamento do leito do rio Sorocaba deve começar na divisa de Sorocaba como o município de Iperó e seguir até a divisa com Votorantim, devendo, também, a alcaide da “Capital do Cimento” fazer o mesmo, desde o bairro da Chave até a divisa com Sorocaba.
Não é preciso de ser engenheiro, ou expert em qualquer outra área do conhecimento humano para concluir que não há outra maneira de resolver o problema das enchentes nas áreas suscetíveis -- ou seja, nas partes baixas -- por onde passa o rio Sorocaba.
Sim, Sorocaba precisa fazer a lição de casa.
Roque Dias Prestes é advogado, escritor, jornalista, professor aposentado e presidente da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História