São Silvestre, uma reflexão

Saudosos, lembram que, além do aspecto competitivo, havia, também, um clima de festa, pois era perto da meia noite

Por Cruzeiro do Sul

Corrida Internacional de São Silvestre

Você sabe quem é Andrew Rotich Kwemoi? Natural de Uganda, Andrew venceu a São Silvestre de 2022. Salvo engano, parece que a mídia não deu tanto destaque a tal feito, pois tudo indica que essa competição, idealizada pelo jornalista Cásper Líbero, em 1925, já não chama tanto a atenção quanto no passado.

Antigamente, era uma tradição as famílias brindarem à chegada do novo ano de olho na TV, para acompanhar o desempenho dos corredores. Desse modo, tal prova era o verdadeiro “Show da Virada”, pois começava exatamente às 23h30, com um percurso de 15 quilômetros pelo centro da Capital. Nesse sentido, os participantes literalmente cruzavam a linha de chegada no ano seguinte. Todo mundo ficava na expectativa: quem brilharia naquele ano?

Ainda que alguns brasileiros tenham se destacado, ao longo de tantos anos dessa famosa competição, os atletas africanos sempre foram um brilho à parte. Guardadas as devidas proporções, a “São Silvestre” tem relevância junto às provas do gênero, pois também prepara os atletas para importantes desafios internacionais. Todavia, a participação de atletas estrangeiros só começou em 1944. Já as mulheres integraram-se à prova a partir de 1975.

No entanto, fãs da “São Silvestre” afirmam que a mudança para as tarde do dia 31 de dezembro tirou o charme da competição. Saudosos, lembram que, além do aspecto competitivo, havia, também, um clima de festa, pois era perto da meia noite.

Assim, além do pelotão de elite, atletas amadores davam um tom de descontração ao evento. Muitos sorocabanos também têm participado dessa festa esportiva. Tal alteração, feita em 1988, ocorreu por sugestão da Federação Internacional de Atletismo, para garantir a segurança de todos.

Para os críticos, isso atropelou a ideia inicial de seguir uma prova francesa, na qual os atletas, à noite, percorriam as ruas de Paris, com tochas acesas nas mãos. Há indícios de que tal prova não ocorre mais por lá. Por aqui, apesar das críticas, a “São Silvestre” resiste bravamente ao tempo, pois em 2025 chegará ao 1º centenário.

João Alvarenga é professor de redação