Mãe: sublime amor
Mais do que lembrancinhas, o que importa, realmente, não é o presente. Mas, estar presente! Isso sim ficará na lembrança
Mãe. Uma palavra tão pequena, mas de uma grandeza incomensurável. Os leitores que me desculpem pelo clichê, mas essa data sempre mexe com nossos sentimentos. Afinal, maio é um mês muito especial: das mães, de Maria e das noivas. São muitas celebrações ao mesmo tempo. Mas, neste ano, há um significado maior nessa celebração. Afinal, as famílias finalmente poderão homenagear suas mães com o tradicional almoço de domingo. Não faltarão abraços, gestos de carinho e afeto dobrado. Há dois anos, isso era praticamente impossível. A saudade também se fará presente, porque muitas mamães perderam seus filhos durante a pandemia. A dor da ausência, também, estampará a face de muitos filhos que ficaram sem suas mães.
Apesar da dor, haverá instantes de alegria para muitas famílias, já que o dia de amanhã terá um novo sentido para todos nós. Afinal, o sublime amor de mãe terá seu lugar de destaque novamente. Os versos dedicados à figura materna serão recuperados, pois muitos poetas declararam seu amor às devotadas mães. Em rimas, tentam definir o sentido de profundidade do amor maternal que toca até o mais empedernido coração.
Para ilustrar o que digo, cito Carlos Drummond de Andrade, que é imbatível no quesito originalidade, quando diz: “Se fosse rei do mundo, baixava uma lei, mãe morre nunca”. Na verdade, Drummond não entedia porque “Deus permite que as mães vão embora”. No fundo, nenhum filho é capaz de aceitar, serenamente, esse desígnio divino. Afinal, não há remédio que cure um coração que sente a ausência materna. É uma dor que o tempo não apaga, mesmo quando a velhice avança e consome a memória, “porque mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga”.
Mas, a arte de declarar amor às mamães não é mérito apenas dos poetas. Muitos compositores também cantaram esse puro sentimento. Assim, os versos: “Eu tenho tanto para lhe falar, mas como palavras não sei dizer”, de Roberto Carlos, falam o que muitos filhos não conseguem dizer, porque o olhar diz muito mais. Para Caetano Veloso, “ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos”. Se fosse buscar pela memória, faltaria espaço para tantas canções que exaltam a figura materna, sob vários aspectos.
Enfim, amanhã será um “lindo dia da mais louca alegria”, pois os filhos renderão singelas homenagens a quem lhes deu a vida. E, apesar do apelo comercial que a data enseja, o carinho valerá mais do que qualquer presente. Mais do que lembrancinhas, o que importa, realmente, não é o presente. Mas, estar presente! Isso sim ficará na lembrança. E mesmo que você não tenha grana dar um simples botão de rosa para sua mãe, dê seu carinho, explicite seu amor. Fale o quanto ela é importante na sua vida. É hora de marcar esse momento! Feliz Dia das Mães a todos!
João Alvarenga é professor de Redação e cronista