Os hackers atacam

É preciso investir em cultura de segurança de dados (...) Mas o principal foco tem que ser em educação continuada para criar uma cultura de prevenção

Por Cruzeiro do Sul

 

Grande número de empresas brasileiras vem enfrentando ataques cibernéticos. As quadrilhas de hackers sequestram dados e depois partem para chantagens, seguidas de exigência de pagamentos de resgates.

O Brasil é um dos países mais visados por crimes desse tipo. Como nos dão conta os levantamentos da consultoria alemã Roland Berger, é coisa de um ataque a cada segundo. Em um ano, o Brasil pulou da 9ª para a 4ª posição no ranking global de investidas desse tipo.

Em fevereiro, o Grupo B2W, controlador da Lojas Americanas e Submarino, teve seus sistemas invadidos e suas operações de e-commerce paralisadas por quatro dias. CVC, JBS, Accenture, Lojas Renner e Fleury foram outras empresas vitimadas.

Chamado de ransomware, esse tipo de ataque se aproveita de vulnerabilidades em segurança para introduzir um malware, software criado para criptografar o máximo de dados possíveis. Em seguida, o sistema ficará inoperante até a liberação dos arquivos ou restabelecimento do backup de segurança. O pagamento do resgate não garante devolução ou não utilização dos dados roubados. Portanto, é ele próprio uma operação de risco.

Falta de profissionais de tecnologia, atraso na transformação digital e gestão ineficiente em segurança de dados são vulnerabilidades que deixam as empresas brasileiras na mira dessas ações. Além dos prejuízos econômicos, as vítimas ainda têm de lidar com danos à sua imagem e com perda de confiança por parte dos consumidores.

As invasões não se restringem ao mundo corporativo. No ano passado, a Secretaria do Tesouro Nacional e o Ministério da Saúde foram atacados.

Como aponta o colunista de tecnologia do Estadão, Pedro Doria, a tendência é de que a indústria do cibercrime se sofistique ainda mais. “Vários grupos de hackers atuam em cada etapa do processo. Dedicam-se a identificar vulnerabilidades, a criar acessos aos sistemas, a desenvolver malwares que vão sequestrar os dados que, em seguida, serão vendidos para outros bandos de criminosos que vão realizar os ataques às empresas.”

É consenso entre especialistas que é preciso investir em cultura de segurança de dados. Edson Carlotti, CTO da Leadcomm, recomenda a atualização permanente dos sistemas e investimento em tecnologias que consigam identificar erros e invasões em seu estado inicial para evitar investidas. Mas o principal foco tem que ser em educação continuada para criar uma cultura de prevenção. “Com o home office, as empresas ficaram mais vulneráveis por depender de infraestrutura externa, pois as falhas humanas seguem sendo a porta de entrada de parte desses ataques”, explica Carlotti. (Com Pablo Santana)

Celso Ming é jornalista e comentarista de economia