Expectativas natalinas

Artigo escrito por João Alvarenga

Por

Há exatamente um ano brinquei, neste espaço, com a possibilidade do Papai Noel aparecer de máscara para entregar as brinquedos às crianças, porque pertence ao grupo de risco. Agora que uma parcela significativa da população está vacinada, inclusive os idosos com uma dose de reforço, a situação tende se normalizar e os festejos de fim de ano serão mais animados, porque as famílias, com toda cautela, poderão se confraternizar.

Pode parecer clichê, mas dezembro é sim um mês especial. Realmente, é um momento diferente para o planeta. Ou seja, de algum modo, somos tocados por uma magia. Afinal, o espírito natalino desperta inúmeros sentimentos. Enquanto o comércio aposta nas vendas, os idosos se entregam às lembranças dos velhos natais.

Para muitos, a dor da ausência se fará presente, porque entes queridos partiram silenciosamente nesta pandemia. Há também quem se entristeça, ao ver tantas desigualdades, no mundo, em que muitas famílias não terão o que comer na ceia natalina. Apesar disso, resta-nos a contagiante alegria das crianças, pobres ou ricas, que aguardam ansiosamente por um presente.

Desse modo, mais uma vez, a cidade revive aquela contagiante onda misteriosa de euforia, movida pela expectativa de novos tempos, tempos menos amargos. A esperança de que o nascimento de Jesus transformará nossas vidas. Há, no ar, a crença de que, apesar de todas as dificuldades, a vida é um dom divino. Cantatas natalinas se espalham pela cidade. Além disso, casas e ruas foram enfeitadas para resgatar o clima dos natais passados.

Ainda que as necessárias máscaras escondam o sorrido e os abraços sejam tímidos, os olhos não nos enganam, pois brilham de felicidade e nos encantam. Naturalmente, somos convidados a preservar o que há de mais humano nas nossas tradições natalinas: o prazer do reencontro, a alegria de compartilhar emoções e a crença de que, embora o ano que passou tenha deixado à sensação de que “os dias foram mais escuros que a noite”, o sol voltará a brilhar.

(*) João Alvarenga: professor de Redação e cronista.