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Novos carros elétricos alemães viram estrelas do salão de Frankfurt

Fabricantes temem o impacto dos novos regulamentos europeus contra a poluição
Novos carros elétricos alemães viram estrelas do salão de Frankfurt
Novo carro elétrico da Volkswagen, chamado ID.3. Crédito da foto: Silas Stein (10/9/2019)

Os novos carros elétricos alemães serão as estrelas do salão do automóvel de Frankfurt. O evento foi aberto nesta terça-feira (10) à imprensa, em um mercado em queda. Nele, os fabricantes temem o impacto dos novos regulamentos europeus contra a poluição.

Na segunda-feira (9) à noite, centenas de jornalistas assistiram à apresentação do novo carro elétrico da Volkswagen, chamado ID.3. Ele é um veículo compacto que a marca compara com seu famoso fusca. De quinta a 22 de setembro, milhares de pessoas vão visitar o salão.

O grupo Volkswagen também apresentou o Taycan, um carro esportivo de luxo 100% elétrico de sua marca Porsche. Ele é capaz de ir de 0 a 100 km/h em menos de três segundos e que quer rivalizar com a Tesla, a companhia californiana líder dos carros elétricos.

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Este ano, muitas marcas estrangeiras decidiram não participar do salão. A lista inclui as japonesas Toyota e Nissan, as americanas General Motors e Fiat-Chrysler e as francesas Renault, Peugeot e Citroën.

Segundo Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Center Automotive Research (CAR), a crise do salão é uma consequência da má imagem da indústria alemã “afetada pelo ‘dieselgate’ [o escândalo dos motores adulterados da Volkswagen] e pelo desenvolvimento tardio do carro elétrico”. O setor como um todo está passando por um período difícil devido às mudanças tecnológicas, que exigem bilhões de dólares em investimentos, bem como a guerra comercial, Brexit e, na Europa, os novos limites de emissão de CO2.

Além disso, os carros estão cada vez mais no centro das atenções pela poluição das cidades. Neste sábado (14), a polícia espera entre 15 mil e 20 mil pessoas em uma grande manifestação no Centro de Convenções de Frankfurt para exigir uma “revolução nos transportes”.

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Mercado retrocedeu

No primeiro semestre do ano, o mercado mundial de automóveis retrocedeu 5%, principalmente por causa da China. As fabricantes alemães foram particularmente afetadas pela crise e, nos primeiros oito meses do ano, a produção caiu 11% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da federação profissional (VDA).

Entre janeiro e julho, as vendas do grupo Volkswagen também caíram 2,7%. Na Europa, a partir do próximo ano, os carros novos deverão ter emissões médias de CO2 inferiores a 95 gramas por quilômetro, com multas significativas em caso de descumprimento.

Para conseguir isso, o carro elétrico é a melhor solução. Isso explica os modelos 100% elétricos ou híbridos apresentados esta semana no Salão do Automóvel de Frankfurt.

No entanto, as vendas ainda são marginais. Na Europa, representam apenas 2% do mercado e ainda há dúvidas sobre seu alto preço e os limites de sua autonomia.

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Sucesso dos carros elétricos

Segundo o presidente da Volkswagen, Herbert Diess, o sucesso dos carros elétricos “dependerá muito das condições políticas”. Ele pediu mais “subsídios” para baixar os preços e “acelerar a implantação de pontos para recarrega”.

As marcas alemãs ainda estão pouco presentes nesse mercado. A BMW não obteve o sucesso esperado com seu modelo i3 e não possui carros grandes equivalentes aos da Tesla. Por sua vez, Mercedes e Audi mal começaram a trabalhar neste setor. (AFP)

 

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