Motor

Indústria automobilística 4.0 e os automóveis híbridos e elétricos

Avanços da tecnologia são debatidos por estudantes e convidados da Fatec
Indústria automobilística 4.0
O workshop foi realizado pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) Sorocaba nas dependências do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS). Crédito da foto: Emidio Marques

Um misto de certezas e incertezas quanto ao futuro da indústria automobilística. Esse foi o tom adotado por boa parte dos profissionais ligados ao setor em evento realizado na última semana no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), a convite da Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (Fatec). Os palestrantes do encontro “O automóvel e a indústria automobilística 4.0” trataram de frentes já presentes do ponto de vista da tecnologia, como os carros híbridos e elétricos, bem como falaram da automação nas empresas e fábricas. Também lembraram da relação entre os avanços e a necessidade de qualificação da mão de obra, sobretudo em um mundo cujo intelecto tende a ser muito mais cobrado em detrimento do trabalho braçal.

Antes de abrir o evento, o diretor da Fatec, Luiz Carlos Rosa, conversou com o Motor. Disse que não há saída diferente ao se referir à automação nas fábricas. “A manufatura está ficando cada vez mais em segundo plano em relação à formação intelectual das pessoas.”

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Luiz Carlos Rosa, diretor da Fatec; José Luiz Antunes de Almeida, do Curso Eletrônica Automotiva; e Nelson Rampim Filho, do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Indústria 4.0. Crédito da foto: Emidio Marques

O Núcleo de Estudos e Pesquisa em Indústria 4.0 é coordenado pelo professor Nelson Rampim Filho e o Curso Eletrônica Automotiva é coordenado pelo professor José Luiz Antunes de Almeida, ambos da Fatec Sorocaba.

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Crédito da foto: Emidio Marques

No auditório, o presidente da VDI-Brasil, Mauricio Hiroshi Muramoto, enfatizou que o momento da indústria automobilística é de incertezas. Com o crescimento do transporte por aplicativo e compartilhado, lembrou que os veículos deixam de ser bens tão sonhados como em passado recente. “A gente precisa questionar qual será o futuro das concessionárias, das oficinas, das seguradoras. A presidente da General Motors costuma dizer que em 5, 10 anos vamos viver coisas que não aconteceram em 120 anos”, comentou.

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Durante os trabalhos, equipamentos de pesquisa ficaram expostos para os participantes. Crédito da foto: Emidio Marques

Um dos pontos altos do evento foi a apresentação do engenheiro de produtos da Mercedes-Benz no Brasil, Jonathan Peter Marxen. Ele trouxe um vídeo de abertura com várias tecnologias vigentes e outras em fase de testes pela gigante alemã. “Parece ficção, mas é realidade. A tecnologia a gente já tem”, garantiu, depois de exibir na tela alguns detalhes do chamado “Future Truck (2025)” (Caminhão do Futuro 2025, em português).

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O engenheiro lembrou que existem estágios da automação a serem cumpridos até que se chegue à autonomia completa de veículos. “São muitas variáveis, quantidades de dados muito grandes a serem processadas.” “E também é preciso tirar o medo das pessoas: uma pesquisa mostrou, por exemplo, que 70% dos americanos têm medo de veículos autônomos”, afirmou, em relação às dificuldades de implementação prática da tecnologia.

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Engenheiro de produtos da Mercedes-Benz do Brasil, Jonathan Peter Marxen. Crédito da foto: Emidio Marques

Apesar do receio, Marxen citou práticas em pleno funcionamento, como os caminhões semiautônomos que operam em colheitas de cana-de-açúcar e os que fazem a limpeza de neve no Aeroporto de Frankfurt durante o inverno.

Outro palestrante a chamar a atenção dos cerca de 800 presentes foi o gerente de vendas da chinesa BYD no Brasil, Adriano Caputo. A montadora é a maior fabricante de carros elétricos no mundo. Ele falou, por exemplo, do E5, um veículo similar ao Toyota Corolla e que carrega baterias de fosfato de ferro lítio de 47,5 kWh. A autonomia oficial é de 300 km, com tempo de recarga de 1h30 em carregador de 40kW. “Um dos grandes desafios é reduzir o custo das baterias ou conseguir reaproveitá-las. Em um ônibus que produzimos de R$ 1,5 milhão, por exemplo, 60% do custo é com a bateria”, destacou, ao lembrar que a BYD também atua, entre outras coisas, na produção de ônibus e caminhões.

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O palestrante Mauricio Hiroshi Muramoto, presidente da VDI Brasil. Crédito da foto: Emidio Marques

Na parte final do evento, o diretor da LWT Sistemas, Victor Hugo Jacob, tratou da impressão de peças 3D como redutora de custos na fabricação de automóveis e também como possibilidade de diminuir o peso dos materiais nos carros. Em parte do discurso, trouxe frase do empresário australo-americano Rupert Murdoch, em analogia à velocidade das mudanças. “Murdoch diz que os grandes não vão mais bater os pequenos, e sim que os mais rápidos vão bater os mais lentos”, citou. (Esdras Felipe Pereira)

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