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50 aviões Boeing 737NG estão em terra após descoberta de fissuras

No Brasil, a situação afeta a Gol Linhas Aéreas, que precisou estaleirar 11 aeronaves modelos 737-700 e 737-800
Onze dos 120 Boeing 737NG da Gol estão em manutenção por fissuras em componente. Crédito da Foto: Arquivo/Divulgação/Gol

A Boeing admitiu nesta quinta-feira (31) que o número de aeronaves modelo 737NG (Next Generation) mantidos em solo por força da descoberta de fissuras estruturais já chega a 50 pelo mundo.

Um porta-voz da Boeing declarou à agência de notícias AFP que quase 1.000 aviões já foram submetidos a uma inspeção. Em cerca de de 5% deles – o equivalente a 50 aeronaves – foram detectadas falhas. Os aviões não podem voar até que aconteçam os reparos correspondentes.

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No Brasil, a situação afeta a Gol Linhas Aéreas, que precisou estaleirar 11 aeronaves modelos 737-700 e 737-800 da família Next Generation para reparos no Centro de Manutenção de Confins, em Minas Gerais, no início do mês.

A medida foi tomada depois que a Boeing descobriu fissuras no “pickle fork” — um sistema de acoplamento que permite manter unidas as asas do aparelho à fuselagem.

O primeiro problema ocorreu em uma aeronave na China. Por consequência, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos ordenou uma inspeção de todos os 737NG que superaram 30.000 ciclos (pousos e decolagens).

Porém, a companhia aérea australiana Qantas anunciou nesta quinta-feira (31) que detectou fissuras em aviões com menos de 27.000 ciclos. Um de seus aviões Boeing 737NG permanecerá em terra e mais 32 aeronaves devem passar por uma inspeção.

O anúncio da Qantas provoca o temor de fissuras em aviões mais novos (com menos ciclos).

Mundo

Das quatro principais companhias aéreas dos EUA, apenas a Southwest detectou aeronaves com defeito. “Continuamos trabalhando com a Boeing para reparar esses três 737NGs e não temos data para o retorno ao serviço”, disse um porta-voz.

American Airlines, United e Delta disseram ter estendido as mais recentes inspeções. A Coreia do Sul citou, por sua vez, nove aviões fora de circulação, cinco deles pertencentes a Korean Air.

A companhia australiana Virgin Airways também inspecionou seus 17 Boeing 737NG, embora não tenha detectado nenhum problema, disse um porta-voz da autoridade australiana de Aviação Civil.

A Ryanair, a maior operadora de 737NG do mundo, garantiu que não foi afetada pelo problema. “A Ryanair continua a análise de seus dispositivos de acordo com as instruções de navegação e não prevê incidentes em suas atividades ou na disponibilidade de sua frota”, afirmou a companhia em comunicado.

A empresa de baixo custo Norwegian, que opera 118 Boeing 737-800, explicou em um email à AFP que sua frota não é objeto de inspeções por ser muito recente.

Quanto à Transavia France, subsidiária de baixo custo do grupo Air France-KLM, disse que está realizando verificações, mas que “nenhuma anomalia foi detectada”, segundo um porta-voz.

737 MAX

O 737NG é o antecessor do 737 MAX e possui três versões: 737-700, 737-800 e 737-900, entre 126 e 220 assentos. Desde os anos 1990, foram produzidos 6.162 exemplares, segundo a Boeing.

A imobilização das aeronaves se une a outros problemas de segurança da Boeing. Nos últimos meses, dois acidentes do modelo 737 MAX provocaram as mortes de 346 pessoas na Indonésia e Etiópia. Desde então, falhas no programa MCAS, que deveria impedir a queda do avião em caso de perda de velocidade, estão sendo investigadas.

Os aviões 737 MAX não são utilizados há sete meses. (Com informações de Holly Robertson – AFP)

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