Meio Ambiente

Queimadas agridem a saúde e o meio ambiente

As cidades são responsáveis por cerca de 75% da emissão global de dióxido de carbono (CO2)
A cidade registrou 420 focos de incêndios e queimadas de 2007 a 2017, 84 deles em 2014. Crédito da foto: Adival B. Pinto (20/8/2013)

O ecossistema de Sorocaba pode ter seu desenvolvimento ameaçado por conta das queimadas, e a falta de conscientização da população sobre os riscos provenientes delas pode trazer problemas de saúde relacionados às vias respiratórias. A opinião é do professor Roberto Wagner Lourenço, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Sorocaba, e do Instituto de Ciências e Tecnologia de Sorocaba Engenharia Ambiental.

De acordo com ele, a ação do fogo de origem não natural tem causado sérios danos ao desenvolvimento de alguns ecossistemas, como o Cerrado e a Mata Atlântica; como Sorocaba encontra-se em uma área de transição entre os dois, a região está frequentemente exposta a esse risco.

Segundo relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), as cidades são responsáveis por algo em torno de 75% da emissão global de dióxido de carbono (CO2) devido ao crescimento populacional e a forte industrialização; o gás é um dos componentes do sistema que gera o efeito estufa. Uma consequência é o aumento do efeito de mudanças climáticas, como as dos períodos de estiagem, deixando o ar mais seco e a vegetação ainda mais suscetíveis a ocorrência de incêndios, tanto naturais como intencionais.

Estudo de 2018 do Laboratório de Geoprocessamento e Modelagem Matemática Ambiental da Unesp Sorocaba, a partir de dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mostra que a cidade registrou 420 focos de incêndios e queimadas de 2007 a 2017 – apenas em 2014 foram 84 focos.

Cerca de 70% das cidades já sofrem efeitos das mudanças globais

Os focos ocorreram “predominantemente nas áreas rurais e de expansão urbana, com maior frequência nos períodos de estiagem. Entretanto, não só em períodos secos ocorrem os focos, pois a ausência de conscientização são fatores importantes que impulsionam suas ocorrências em outras estações do ano”, alerta o professor. Wagner também lembra que estes focos são um fatores determinantes para o aumento do número de problemas de doenças respiratórias, além de alergias nos olhos e na pele.

Esses fatos não são exclusividade de Sorocaba, já que muitas grandes cidades passam pelo mesmo problema. Nesse sentido, o professor cita ainda que cerca de 70% das cidades “já sofrem efeitos das mudanças globais”, e que pesquisadores ao redor do mundo estão buscando uma maneira de transformar as cidades em centros de “reabilitação” do ecossistema.

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O professor da Unesp reforça, para Sorocaba, a necessidade de se ter projetos que ajudem na redução dos gases de efeito estufa, pelo grande número de indústrias e de queimadas nos últimos 10 anos. É necessário, diz, medidas como programas de educação ambiental, compensação ambiental das indústrias, e a cacitação de brigadista e da população no combate aos focos de queimadas. (Adriane Mendes)

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