SOROCABA E REGIÃO

Desabamento de imóvel em São Roque provoca uma morte


Atualizada

Uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas nesta quarta-feira (16) em São Roque, no desabamento de um prédio comercial que passava por obra de demolição. A queda da estrutura do imóvel, situado na região central da cidade e que anos atrás sediou agência do INSS, ocorreu por volta das 11h30, e mobilizou 26 bombeiros dos quartéis local, de Sorocaba e de Itu. O risco de novos desabamentos foi uma das dificuldades encontradas para o resgate do corpo do trabalhador da construção civil Leonardo dos Reis, efetuado cerca de quatro horas após o acidente. As outras duas vítimas, de um total de oito -- Márcio Rosa Santos, e Isaías da Silva Santana --, tiveram ferimentos leves e foram levados para a Santa Casa de São Roque.

Conforme o relatado pelo auxiliar administrativo Damião Roque Viana, que passava pelo local, na rua Dr. Stevaux, no momento da queda da estrutura do primeiro andar do prédio, inicialmente ele suspeitou de incêndio, e só depois percebeu se tratar de desabamento. Acompanhado de um amigo, logo avistou os dois sobreviventes, notando em seguida a presença de outra vítima, que estava soterrada, apenas com as pernas à mostra e o rosto encoberto por várias vigas. Damião Viana disse ainda que tentou chamar o funcionário, percebendo não haver nenhum estímulo. Nesse meio tempo o Corpo de Bombeiros já era acionado.

De acordo com o tenente-coronel Miguel Ângelo de Campos, comandante do 15º Grupamento de Bombeiros de Sorocaba e região, a maior dificuldade encontrada no local foram os riscos de novos desabamentos, tanto por uma viga pendente na entrada da área, como pela parede lateral que teve também sua estrutura danificada. O oficial explicou que somente após fazerem o escoramento da entrada do prédio com madeira é que os bombeiros puderam iniciar os trabalhos de resgate do funcionário soterrado e já sem vida. Nessa parte, a dificuldade estava em retirar as vigas que o encobriam parcialmente. Para isso, com o objetivo de agilizar o resgate, o engenheiro mecânico César Nieto, da empresa Emertech Tecnologia para Emergências, cedeu o equipamento denominado Mandíbulas da Vida, que consiste numa espécie de quebrador hidráulico de concreto, que vai "mordendo" o concreto. Os bombeiros também estavam com maquinário igual. O corpo do funcionário foi retirado do prédio e conduzido ao Instituto Médico Legal (IML) de Sorocaba por volta das 16h.

Havia informações de que o funcionário falecido teria sido atingido quando estava no piso térreo ou no superior, o bombeiro destacou que não havia como saber, naquele momento. 


Bombeiros trabalham no local - ALAN VIANNI / JORNAL O DEMOCRATA / CORTESIA Bombeiros trabalham no local - ALAN VIANNI / JORNAL O DEMOCRATA / CORTESIA


Avaliações

A Defesa Civil da Prefeitura aguardava a liberação do prédio pela Polícia Técnica para então proceder com o isolamento. Mas segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, José Abílio dos Santos, numa avaliação prévia tudo indica que o acidente tenha ocorrido por conta de falha humana em termos de procedimento. Isso porque, conforme explicou, a peça não poderia ter descido inteira, pois "teria que ter escoramento, teria que ter uma situação de segurança , e se desceu (a peça) algum erro teve", destacou.

Por meio de nota, a Prefeitura de São Roque informou que o imóvel era particular e a obra estaria legalizada. "A responsabilidade técnica é do engenheiro contratado pelo proprietário do imóvel. Os alvarás tanto de demolição quanto de construção foram emitidos após a aprovação do projeto."

Informações não confirmadas davam conta de que a construtora responsável pela obra seria de Paulínia, de onde também seriam as três vítimas. Os outros cinco funcionários que estavam no local e escaparam sem nenhum ferimento, eram Sérgio Aparecido de Carvalho, José Roberto (não havia o nome completo), e os irmãos Newvan Ferreira Viana, Leandro Ferreira Viana, e Bartolomeu Ferreira Viana.

Durante todo o dia, as lojas do quarteirão da rua onde ocorreu o desabamento também foram fechadas por questão de segurança.