CULTURA

Brasil lidera mercado fonográfico latino-americano


"Acho que o Brasil tem sido um gigante adormecido por anos e acho que o próximo grande hit da América Latina a estourar globalmente virá do Brasil", afirma Jesús López, CEO da Universal Music na América Latina e Península Ibérica, no Global Music Report 2018, divulgado nesta terça (24).

Segundo o relatório da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), principal mapeamento do setor, a receita do país cresceu 17,9% em relação ao ano anterior, arrecadando R$ 943,6 mi (US$ 295,8 mi). Assim, o Brasil, que é o maior mercado da América Latina, se recupera de uma retração de 3% em 2016.

O mercado global, por sua vez, cresceu 8,1% e faturou R$ 55,2 bi (US$ 17,3 bi), marcando um crescimento pelo terceiro ano consecutivo, após uma década em queda.

O maior responsável pelo progresso foi, segundo a IFPI, o streaming, modalidade de música digital que se tornou a maior fonte de receitas com 176 milhões de assinantes ao redor do mundo. Plataformas como Spotify, Appple Music e Deezer geraram R$ 21 bi (US$ 6,6 bi) para o setor, representando 38,4% da receita total.

"Os últimos dados da IFPI mostram claramente que o streaming continua sendo o maior condutor de toda a receita da música gravada, apesar do fato de que sua penetração ainda é relativamente baixa pelo mundo", disse Hans-Holger Albrecht, CEO da Deezer, em comunicado à imprensa.

Para Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, o potencial de crescimento do streaming ainda é enorme, especialmente no Brasil. "Se você levar em conta que a gente tem em torno de 5 milhões de assinantes de streaming no Brasil, em um universo de 180 milhões de smartphones, para não falar de tablets e computadores, ainda existe um mercado a ser explorado por essas plataformas", disse à Folha.

Apesar do crescimento, a receita do setor global ainda corresponde a 68,4% da que o mercado faturou em 1999, auge da indústria fonográfica. Uma projeção da Goldman Sachs divulgada em agosto de 2017, a indústria deve se recuperar até 2030.

Rosa, no entanto, diz que prefere se ater aos dados atuais, já que o mercado muda a cada dia com evoluções tecnológicas. "Voltar aos níveis de 1999 é totalmente possível, mas depende do que acontecer nos próximos anos. Qualquer aposta envolve um pouco de especulação, de futurologia", diz.