ECONOMIA

Valor da cesta básica cai 5,8% na cidade em 2017


O valor do conjunto de itens que compõem a cesta básica caiu 5,81% em Sorocaba em 2017, na comparação com o acumulado de 2016. Em dezembro do ano passado, os produtos básicos foram aferidos em R$ 563, enquanto no último mês do ano anterior custavam R$ 598. Os dados são da equipe do Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LCSA), da Universidade de Sorocaba (Uniso).

O resultado representa a maior queda em um determinado ano desde o início da pesquisa, em 1995. Até então, os únicos anos que tiveram redução foram 1996 (-0,77%), 2005 (-0,76%) e 2013 (-0,37%).

O Brasil fechou 2017 com a taxa oficial de inflação em 2,95%. Enquanto saúde (6,52%), transporte (4,1%) e educação (7,11%) puxaram a alta do índice, os alimentos tiveram queda de 1,87%. O coordenador do LCSA, Renato Garcia, diz que o cenário tem relação com grande safra em 2017, assim como o consumo menor provocada pela crise econômica.

Na avaliação do economista, a expectativa é de que os preços aumentem nos próximos meses. Ele cita como fatores a retomada do consumo -- a partir do aumento do trabalho formal e informal, além do encarecimento das tarifas de transporte e energia elétrica, que deverão refletir nos custos dos produtos. "É um processo que vai sendo gradual", considera.

Quedas

Na comparação de dezembro de 2017 com o mês anterior, a queda nos itens da cesta básica foi de 1,4%, de R$ 571 para R$ 563. As maiores reduções foram no leite longa vida (-7,57%), feijão (-5,99%), carne de 1ª (-4,09%), carne de 2ª (-3,89%) e achocolatado (-3,32%).

O preço médio do leite era 2,51 o litro em novembro e passou a R$ 2,32 em dezembro. De acordo com o estudo, a queda está relacionada ao baixo consumo e também pelo aumento de produção. O feijão custava R$ 4,01 o quilo em novembro e foi para R$ 3,77 em dezembro. Com esse resultado, o feijão registra a sua sexta queda consecutiva de preço, motiva pelo aumento da oferta. Em dezembro de 2016, era vendido a R$ 6,92.

O preço menor das carnes foi uma surpresa, considerando o usual aumento de seu consumo no fim do ano.

Em contrapartida, os produtos que mais subiram em dezembro foram a cebola (8,99%), o vinagre (4,85%), o biscoito água e sal (4,72%), os ovos (4,60%) e o alho (4,17%). A cebola passou de R$ 1,78 o quilo em novembro para R$ 1,94, devido ao excesso de chuvas.

Inflação de cada um

Segundo Renato Garcia, cada pessoa tem seu conjunto próprio de itens e serviços mais consumidos, desta forma as altas influem no orçamento de cada família de maneiras diferentes. "É como se cada pessoa tivesse a sua inflação", aponta.

Para a aposentada Neusa Sampaio, 61 anos, o itens relacionados a saúde -- como plano de saúde e medicamentos -- foram os que mais pesaram no bolso em 2017. Ela relata que não conseguiu perceber o impacto da queda no preço da cesta básica. "Você tem uma queda aqui (alimentação), mas em compensação os remédios sobem de maneira exagerada", reclama.

Para a empresária Isabel Boscolo, 51, os remédios também foram os itens que mais pesaram no orçamento familiar. No supermercado, relata ter suas estratégias para economizar. "A gente diminuiu [a compra de] algumas coisas, como produtos de limpeza. Pegamos as marcas mais em conta."

O economista sugere que além da pesquisa de preços e da elaboração de uma lista de compras, as trocas por produtos similares, com valor menor, são uma forma de reduzir custos. A pesquisa completa da cesta básica sorocabana pode ser consultada no site http://www.uniso.br/laboratorios/labcsa/.