ARTIGOS

Insolação, o efeito do calor


Mário Cândido de Oliveira Gomes

Tomar banho de mar, andar na praia, dormir na areia, enfim, ficar exposto ao sol nos dias quentes e brilhantes de verão tem seu preço. Às vezes, alto demais. São as doenças do verão, como a insolação, as cãibras e o colapso pelo calor. A mais grave dessas enfermidades é a insolação, intermação ou febre pelo calor, que pode levar à morte em poucas horas pelo choque (pressão zero) ou por insuficiência dos rins. As alterações causadas pelo calor são frequentes nos primeiros dias de uma onda de calor, quando o organismo ainda não se adaptou à nova temperatura. O organismo para se aclimatar leva de 4 a 7 dias.

O trabalho físico intenso (maquinista, foguista, etc) ou a presença de uma doença (psoríase, ictiose, etc) pode acelerar o aparecimento dessas enfermidades. O nosso corpo combate o calor através da sudorese, que é a eliminação de água e sal pelos poros ou orifícios da pele. Desde que seus elementos sejam repostos, o organismo humano pode suportar temperaturas extremamente elevadas, enquanto produz o suor. No caso de bloqueio deste mecanismo, a temperatura do corpo pode atingir níveis incompatíveis com a vida (42ºC). Para se defender o organismo elimina uma pequena quantidade de c!oreto de sódio durante o verão, evitando uma grande perda de sal e sua imediata consequência, a hiponatremia (níveis de sódio no sangue abaixo de 150mmol/I).

A diminuição do sódio provoca confusão, cansaço, falta de apetite e crises convulsivas. A ingestão de sal ou a infusão de soro fisiológico resolve o problema.

A insolação ocorre nos países de climas tropical ou temperado, quando a temperatura está acima de 32ºC e a umidade do ar elevada. O indivíduo apresenta perda de consciência, vertigens, desmaios, dores de cabeça intensas, confusão mental e até delírios. A temperatura chega a 41ºC, tornando a pele quente e seca, pulso acelerado e respiração fraca. De acordo com a gravidade, observa-se sonolência, torpor e coma (perda de consciência). Nos casos fatais é comum o choque (pressão zero). com mortalidade elevada.

Os portadores da febre pelo calor apresentam a "fadiga de suor", isto é, deixam de suar, retendo todo o calor. O tratamento da intermação deve ser urgente, emergindo o paciente em água gelada até a temperatura chegar a 38ºC. A seguir, coloca-se o doente num quarto fresco e bem ventilado (ar condicionado, de preferência), e se faz a monitorização da pressão e dos rins (diminuição do volume urinário), além de uma competente hidratação. A dosagem dos níveis de sódio no sangue e na urina de 24 horas são fundamentais para o acompanhamento do paciente.

A prevenção da insolação é feita por meio de medidas gerais, como o uso de guarda-sol nas praias, chapéus, etc, evitando-se o sol das 12h às 16h e, sobretudo, fazendo-se uma boa hidratação. Também, oferecer bastante líquido (água, sucos etc) para as crianças, em casa e na praia. A angústia de certas pessoas em adquirir um "bronzeado verão", leva ao exagero no banho-de-sol, facilitando o aparecimento da insolação.

Para aqueles que não sabem, a mudança de cor da pele (vermelho-pitanga para o bronze-canela) é realizada através da produção aumentada de melanócitos e de seu pigmento, a melanina, por meio da estimulação dos raios ultravioletas. Trata-se de um processo lento e gradativo (meses), sem qualquer possibilidade de se atingir nos fins de semana ou num período rápido de férias. É por isso que existe o bronzeamento artificial. Os filtros solares são os melhores protetores da pele contra as queimaduras de verão (raios infravermelhos). Use e abuse do filtro solar contra o astro-rei.

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.