Blog do Simões

O ano começou. Já pensou no novo projeto?



ANO NOVO!

JÁ PREPAROU O SEU PROJETO?


É sempre assim.

Hora de olhar para frente. Pensar na continuidade ou no novo projeto artístico. Estudar as leis de incentivo e de fomento disponíveis. Acompanhar os editais vigentes. Escrever, escrever...depois... esperar, esperar.

Esta é a rotina do artista.
Na verdade nem precisa ser ano novo. Mas vamos aproveitar o momento.

Qual será o projeto e o trabalho artístico para este ano?  

Mas, antes, alguém pode perguntar: como surgem os projetos artísticos? 

Do nada? das estrelas? Não.

Fundamentalmente surgem da necessidade e da sintonia dos artistas com a comunidade que os cerca.

É bem por isso que os artistas são o patrimônio imaterial da cidade que habitam.

Cada artista, na sua linha de atuação ou na sua perspectiva profissional, representa e vivifica os imaginários e os desejos de uma cidade.

Arte, artistas e cidade estão sempre intimamente ligados. Assim um projeto artistico representa uma parte da cidade e dos cidadãos.

Daí se pode pensar: trabalho estranho este o dos artistas? Sim. Profissão difícil de entender? Sim. Carteira assinada? Poucas vezes. Horário? Sempre. Dedicação extra? Sempre. Férias e décimo terceiro? Quase nunca. Amigos? Muitos. Sacrificios? Muitos. Na maioria das vezes é melhor desistir? Sim. Não é facil mesmo.

Pois ...o trabalho dos artistas tem sigularidades e na maioria das vezes  é intermitente. (antes mesmo da reforma trabalhista)

Para refletir: são poucas as pesquisas que discutem o trabalho artístico. A maioria delas estão alocadas  no campo da "economia criativa".  

Eu, particularmente, prefiro discutir a arte como profissão e trabalho a partir dos escritos  do pesquisador francês Pierre-Michel Menger e da pesquisadora portuguesa Vera Borges. Eles  são um bom começo para se aventurar na discussão das relações entre a arte e o trabalho.

Indico a leitura artigo "A arte como profissão e trabalho: Pierre-Michel Menger e a sociologia das Artes" de Vera Borges.

Eis um trecho para aguçar a leitura
 
"Sem barreiras fortes de selecção, sem a exigência de uma formação técnica longa, sem disposições estatutárias que regulamentem o exercício da profissão, entrar é fácil, manter-se é o grande desafio para os actores.
 
Na primeira fase de selecção, as competências requeridas para o exercício deste métier são a originalidade, a expressividade, a iniciativa e o talento demonstrados. Acima dos pré-requisitos técnicos iniciais, indispensáveis para um músico clássico, encontram-se as disposições que o actor manifesta e que determinam a sua escolha.
 
No entanto, a formação dos actores é um passo muito importante para a sua socialização e integração no meio profissional. Estas são, aliás, etapas que Pierre-Michel Menger considera solidárias, no decurso da carreira do actor, pois a aprendizagem no palco coexiste com o próprio exercício da profissão.
 
Os actores que resistem no mercado de trabalho durante mais tempo são considerados talentosos e a sua reputação tende a consolidar-se. A combinação do talento com a capacidade de se relacionar com os colegas, com as diferentes equipas de trabalho e com os responsáveis é uma condição de permanência e de reconhecimento profissional no mundo artístico.
 
Por essa razão, os actores principiantes e experientes mantêm-se associados a redes de relações com diversos intervenientes nos processos de produção artística. Estas redes profissionais, sempre ligadas ao mercado de trabalho, permitem-lhes ter um acesso rápido e imediato às informações sobre os papéis, os castings, as audições, os projectos, os espectáculos, os filmes, enfim, os empregos disponíveis." (Vera Borges.  http://journals.openedition.org/rccs/1209?lang=pt)


Que tal?

Valorizar as redes e compartilhar experiências pode ser um caminho.

Vamos, então, manter e fortalecer as redes culturais formais e informais.

Viva os artistas. Viva o trabalho dos artistas. Que venham os projetos.

Resistir. Persistir. Sorrir. Martelar. Produzir. Escrever. Projetar. Sonhar. Costurar. Carregar. Operar. Recortar. Arrumar. Organizar. ESTREAR.

Bom ano.


2018 já começou!