REFLEXÃO

Só a união constrói vitórias


Geraldo Bonadio
 
Nas primeiras décadas da República, o Rio Grande do Sul viveu dividido entre dois grupos: os legalistas, também chamados chimangos, e os federalistas, ou maragatos. Eles se enfrentaram em sucessivas guerras civis, em que milhares de pessoas -- principalmente adultos do sexo masculino -- perderam a vida e valiosos patrimônios, que poderia ter acelerado o desenvolvimento local, foram destruídos. Mesmo após encerrados, os combates prosseguiam em centenas de vinganças, emboscadas e conflitos menores. Há algumas décadas, a televisão, baseando-se no maior romance histórico brasileiro, "O Tempo e o Vento", de Érico Veríssimo, mostrou a longa e sofrida resistência da família Terra Cambará, entrincheirada em seu sobrado, no centro de Cruz Alta, ao cerco dos maragatos.
A guerra incessante de facções somente cessou quando Getúlio Vargas, renunciando ao cargo de Ministro da Fazenda de Washington Luís, elegeu-se como candidato de consenso a governador. Administrou o estado com líderes dos dois grupos e conseguiu por fim às matanças, tocaias e vinditas. Pacificou o Rio Grande e, assim, abriu o caminho que faria dele a figura dominante da política brasileira no século 20.
Todos os grupos sociais -- família, partidos, clubes e até igrejas -- são, habitualmente, cenários mais de divergências que de concordâncias. Também é verdade que só o entendimento produz vitórias. Os confrontos de facções aprofundam ódios e divisões em que os esforços de uns são sabotados por outros, em prejuízo de todos.
Conciliar interesses e ambições excludentes é uma missão sublime, a que Deus o convoca. Exercite-a, de modo especial, na família, ponto inicial da convivência e do amor.
Tem razão o poeta José Hernandez, ao recomendar, pela voz do Martin Fierro: "Os irmãos sejam unidos, / -- é lei que sempre vigora; / sempre tenham, tempo a fora, / união de sangue e ideia; / se houver entre eles peleia, / a gente estranha os devora."
 
"(...) esforçai-vos por juntar a vossa fé a virtude, à virtude o conhecimento, ao conhecimento a temperança, à temperança a constância, à constância a piedade, à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade."
 
2ª Carta de Pedro 1:5-7
Bíblia de Aparecida