Agenda econômica

Recordar é viver


Para muitos um título de música, para outros um mote fabular, mas sem dúvida recordar de fatos é um exercício de pensamento bastante saudável quando falamos de economia. Recentemente passamos pela pior crise econômica de nossa história. Nunca vivenciamos uma conjuntura onde tantas variáveis se deterioraram ao mesmo tempo, com tanta intensidade e nas diversas frentes. Pode até parecer redundante o esforço da crítica, mas vale frisar justamente pela gravidade da questão.
 
Com a intensa deterioração do mercado de trabalho, isto é, forte queda da renda real e a duplicação do desemprego, dentre dos maus eventos ocorridos podemos citar a considerável retração do crescimento do crédito, a quebradeira de empresas, a queda vertiginosa de investimentos, o downgrade de nosso risco soberano, aumento da desigualdade entre outros tantos desdobramentos. Provou-se assim que gasto corrente não era na realidade vida, mas no caso uma experiência de quase morte. 
 
Após diversas correções de política monetária, fiscal e cambial, muito sofrimento e descrença vividos pelos cidadãos, hoje podemos afirmar que o pior já passou. É verdade que ainda vamos ralar muito para poder chegar com alguns indicadores aos níveis pré-crise. Mas ainda assim, passamos da queda ou mesmo da estagnação. "Não avançar é o mesmo que retroceder”, prega o ensinamento budista. Isso já superamos.
 
Somente nesta semana três boas notícias foram dadas pelos órgãos oficiais. Primeiro, a melhora do PIB no terceiro trimestre do ano, que refletiu um dos melhores resultados dos últimos trimestres para o setor de serviços, consumo e  investimentos, variáveis que estavam com dificuldade de apresentar recuperação mais consistente. Em segundo lugar, a produção industrial, que em outubro mostrou a maior alta para o mês desde 2013. E por último, a continuidade da redução da taxa básica de juros, a Selic, que o Comitê de Política Monetária (COPOM) anunciou ser de 7%, o menor valor da série desde sua criação em 1999.
 
Há quem não queira ver melhorias, mas o bom cenário já é realidade para todas aquelas variáveis que estavam ruins. E aqui será justamente o espaço destinado pelo jornal Cruzeiro do Sul para discutirmos esse tipo de avaliação, técnica. Sem partidos ou pessoas, sem paixões. Mas claro, se o leitor tiver um bom questionamento, bem embasado, aqui será um espaço livre para conversamos. 
 
Por fim, aproveito esse primeiro post para agradecer o apoio de pessoas que contribuíram de forma decisiva para criação desse blog, verdadeiros incentivadores e amigos: Laediel e Alan Tanabe, Valter Chanes, Bruna Hsu, meus pais Celso e Beth e José Fineis. 


Flor no deserto -