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Assassinato no Expresso Oriente: veja o filme, mesmo se você não leu o livro.


Lúcia Helena de Camargo


Quando assistimos a um filme que resultou da adaptação de um livro não é raro que a comparação favoreça o livro. Afinal, a imaginação quase sempre é mais rica do que as possibilidades da tela, o diretor pode ter sua própria visão sobre a trama, o enfoque pode nos parecer errado, entre muitos outros motivos.  
 
Para estrear este blog Mais Filmes, no entanto, escolhemos um filme que supera o livro do qual surgiu. Em cartaz na cidade, o filme “Assassinato no Expresso Oriente” é baseado no best seller de Agatha Christie (1890-1976), lançado originalmente em 1934. Nem é a primeira vez que a história criada pela dama do mistério chega ao cinema. Isso já foi feito em 1973 por Sidney Lumet, tendo no elenco Albert Finney, Ingrid Bergman, Lauren Bacall, Sean Connery, Anthony Perkins e Vanessa Redgrave. 
 
O que eleva a atual produção a outro nível de excelência talvez seja o nome do produtor, diretor e ator principal: Kenneth Branagh. O inglês, especialista em Shakespeare, encarna o detetive Hercule Poirot, que consegue embarcar no último momento no elegante trem que dá título ao filme, graças a um favor do amigo Bouc (Tom Bateman). 
 
O elenco estelar inclui Penélope Cruz, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe, Olivia Colman e muitos outros. E também a magnífica Judi Dench, que interpreta uma senhora muito rica e mal humorada.  
 
Com a viagem interrompida em razão de uma nevasca que causa o descarrilamento do trem, temos o grupo confinado. E acontece um assassinato a bordo. Todos serão suspeitos. Não é segredo que o morto será o comerciante de arte Edward Ratchett (Johnny Depp). Isso ocorre já no início.
 
Poirot vai investigar o caso, interrogar a todos e exercer seu poder de observação para tentar entender os meandros e motivos que levariam alguém a matar. Se no livro o detetive chega lembrar um bufão, no filme de Branagh ele consegue manter a seriedade e a elegância, ainda que o exagerado bigode faça a figura soar algo risível em certos momentos. 
 
A história toma um rumo inesperado. Não vamos aqui contar o desfecho. Quem leu o livro, sabe. Vamos preservar a surpresa para quem não leu.
 
De qualquer maneira, “Assassinato no Expresso Oriente” merece ser visto no cinema. A densidade conferida pelo diretor à história e as imagens belíssimas do trem atravessando penhascos e montanhas cheias de neve valem o ingresso. 
 
Veja o filme na versão original, com legendas. Não cometa o crime de vê-lo dublado em português, por favor. Os sotaques (Poirot é belga) e a troca de idiomas em certos diálogos, que enveredam para o francês e até alemão, conferem mais nuances à trama.