SOROCABA E REGIÃO

Ingerir vitaminas sem orientação médica coloca a saúde em risco


A falta da quantidade adequada de uma ou mais vitaminas no corpo humano pode gerar uma série de sintomas e prejuízos para a saúde. Porém, o que muita gente ignora é o fato de que seu excesso também é algo tão ou mais perigoso. O alerta é da endocrinologista e nutróloga Tatiana Abrão. "As pessoas podem desenvolver processos inflamatórios, problemas cardiovasculares e até câncer."

O acesso facilitado aos suplementos vitamínicos -- com custo bem mais baixo no Brasil e a tentação de preços ainda menores no exterior -- tem feito muita gente aderir às vitaminas sem antes conversar com um médico. E, apesar de ser uma especialidade médica antiga, a Nutrologia só se tornou mais conhecida há poucos anos. Até se tornarem profissionais de atuação também em consultório, como hoje, os nutrólogos trabalhavam basicamente dentro dos hospitais, como responsáveis pela alimentação e suplementação dos pacientes. Com a advento da busca pela prevenção e pela saúde -- que passa por adaptações na alimentação --, muitos pacientes têm optado por buscar ajuda destes profissionais. "As pessoas não devem, de jeito nenhum, fazer suplementação de vitaminas por conta própria, sem a orientação de um profissional", ensina Tatiana. Isso porque, segundo a médica, os efeitos de uma hipervitaminose podem ser tão graves quanto a falta delas.

De acordo com Tatiana, não são todos os tipos de vitaminas que podem ter seu índice no organismo medido com facilidade. Enquanto algumas são aferidas com simples exames de sangue -- como a vitaminas D, B12, B6, e oligoelementos, como ferro, por exemplo -- outras só conseguem ser avaliadas em universidades ou centros de pesquisas. "Alguns exames são muito caros e pedidos somente em casos específicos. Muitos convênios, inclusive, nem cobrem a realização deles." Diante dessa realidade, são os exames clínicos, a avaliação nutricional e os exames laboratoriais possíveis de serem solicitados que darão, ao profissional médico, o indicativo se determinado paciente precisa ou não de suplementação.


Tatiane alerta: suplementação só com prescrição médica - EMÍDIO MARQUES / ARQUIVO JCS Tatiane alerta: suplementação só com prescrição médica - EMÍDIO MARQUES / ARQUIVO JCS


Tatiana explica que a melhor maneira de garantir que o organismo tenha a quantidade adequada de vitaminas de que necessita para funcionar bem continua sendo a alimentação. "Fazemos uma reforço nessa área e, como o próprio nome diz, somente se necessário fazemos a suplementação." O contrário, segundo ela, deve ser evitado. E até porque, sendo a alimentação a principal fonte de vitaminas, a falta delas está diretamente ligada às deficiências nutricionais. "Tem gente que tira elementos da dieta, como leite e carne vermelha, por exemplo, sem orientação de como substituir." Esses casos podem gerar, ela explica, anemias, fraqueza muscular, quedas de cabelo, unhas quebradiças, pele seca e outros sintomas físicos de que algo não vai bem. Por isso, mexer radicalmente na dieta, por conta própria, não é uma boa ideia.

Falta sol?

Mesmo sendo o Brasil um País com grande incidência de sol durante todo o ano, a falta da vitamina D se tornou diagnóstico frequente nos últimos anos. Tatiana explica que isso acontece pois, para absorvê-la, é necessária a exposição de uma grande área da pele aos raios ultravioletas -- o que não acaba acontecendo pois as pessoas se cobrem e utilizam filtro solar para se proteger dos malefícios destes raios. "Vivemos uma pandemia, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Porém, o que se acredita é que essa deficiência era subdiagnosticada. Agora que é possível fazer mais o exame, aparecem mais casos. O mesmo vemos em relação às disfunções de tireóide", reflete.

Outras vitaminas como a B12, por exemplo, podem ter sua absorção diminuída tanto pela falta de consumo de carne vermelha como pelo uso de alguns medicamentos, consumo de bebida alcoólica, dentre outros fatores. "Vemos muitos casos", completa.