BRASIL

Geraldo Alckmin anuncia força-tarefa contra o PCC


Em resposta às denúncias do Ministério Público sobre ações de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), o governo de Geraldo Alckmin anunciou, ontem, uma força-tarefa que, de acordo com ele, irá investigar os fatos 24 horas. O governo do Estado também afirmou que vai aprimorar o combate ao uso de telefones celulares em presídios paulistas. O grupo será formado por representantes das secretarias da Segurança Pública, da Administração Penitenciária e as polícias Civil e Militar.

Ele anunciou também a formação de uma equipe especial da corregedoria para investigar os casos de policiais ligados à organização criminosa. Disse que apoia a remoção dos chefes para presídios do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou 175 pessoas por participação no grupo criminoso que age dentro e fora das penitenciárias do estado. A denúncia, feita em 11 de setembro e divulgada na última sexta-feira, atribui aos acusados a prática de crime de formação de quadrilha armada para o tráfico de entorpecentes, crimes contra o patrimônio e contra a vida de agentes públicos, além da aquisição, posse e manutenção de armas de fogo. Os promotores pediram a prisão preventiva de todos os denunciados, mas a Justiça indeferiu a solicitação. O MP-SP recorreu da decisão.

O governador disse que até dezembro serão instalados, em 23 unidades prisionais, os bloqueadores de celulares. Na região de Sorocaba, apenas a Penitenciária Odon Ramos Maranhão, de Iperó foi contemplada. Dados mais recentes mostram que, no primeiro semestre deste ano, um total de 23 aparelhos celulares foram apreendidos na Penitenciária de Iperó. Quinze deles foram encontrados com visitantes, sete na cela e um nas dependências da unidade.

De acordo com Alckmin, o processo de compra dos bloqueadores deve terminar em novembro e que, no final do ano, começa a instalação. O governador informou que testes com os bloqueadores foram feitos com auxílio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), nos presídios de Pinheiros, Belém e Guarulhos. O que impedia a instalação dos aparelhos, disse o governador, era a falta de tecnologia. "Nunca teve tecnologia adequada, ou não bloqueava ou bloqueava o bairro inteiro", declarou ele.

Ameaça e corrupção

Alckmin reafirmou que não fará nenhuma alteração em sua segurança pessoal por conta dessas ameaças. "Nós já temos uma segurança mínima, que é o suficiente. Não vai ter nenhuma alteração", afirmou. Em relação às denúncias de que policiais possam estar envolvidos com criminosos e com corrupção, o governador afirmou que já foi designada uma equipe especial da corregedoria para acompanhar e investigar esses casos. "Se for comprovada a participação de qualquer servidor público (em esquemas de corrupção), ele será severamente punido", garantiu.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, afirmou que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma "realidade que tem de ser enfrentada". "É o que nós estamos fazendo para garantir a normalidade (na área segurança pública)", afirmou.