Cultura

Secretário considera inviável investimento para Virada Cultural

Custo estimado é de pelo menos R$ 250 mil só para montagem de estrutura. Prefeitura estuda parceria com iniciativa privada
Secretário considera inviável investimento para Virada Cultural
Em alguns anos o projeto atraiu grande público, como no show da cantora Pitty, em 2015, no Jardim Ipiranga. Crédito da foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS (24/5/2015)

A Prefeitura de Sorocaba não descarta a possibilidade da cidade ficar de fora do circuito da Virada Cultural Paulista 2019, que acontecerá em novembro. Neste ano, o projeto do governo estadual ganhou novo formato que, na avaliação do secretário municipal de Cultura, Gilberg Antunes, “é inviável”.

A Virada Cultural foi criada em 2007 com a proposta de ser um grande festival gratuito com atividades artísticas simultâneas e ininterruptas ao longo de 24 horas, em diversas regiões do Estado. No entanto, nos últimos anos, como consequência da queda de investimentos, o evento vem recebido volume menor de atrações e queda de público. Em 2013, na gestão do prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), Sorocaba já desistiu de sediar a Virada Cultural, em virtude do alto custo de montagem de estrutura externa para a apresentação dos artistas.

De acordo com o regulamento da chamada pública da Virada Cultural, municípios com mais de 150 mil habitantes, como é o caso de Sorocaba, poderão receber até R$ 1 milhão. A Prefeitura poderá ser apoiada pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) com seleção, contratação e pagamento de cachê dos artistas que irão compor a programação.

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Como contrapartida, caberá ao município investir o correspondente a R$ 0,50 em serviços para cada R$ 1 investido pela APAA, disponibilizar espaços adequados, infraestrutura e demais serviços necessários; fazer a divulgação das ações e mobilizar público local e regional; obter a documentação necessária, como alvarás, autorizações e liberações junto aos órgãos competentes para a realização das atividades, além de se responsabilizar por eventuais taxas cobradas pelo uso do espaço.

Por meio de nota, a Secult confirmou que a Prefeitura de Sorocaba formalizará a inscrição no programa, mas a viabilidade de realização depende de análise da prefeita Jaqueline Coutinho (PDT) e do Gabinete Municipal de Gestão de Crise, criado para avaliar as propostas de execução orçamentária de todos os organismos da administração direta e indireta para orientar procedimentos, visando a melhorar a qualidade dos gastos e dos investimentos e adoção de medidas de enfrentamento da crise econômica pela qual passa o município. “Na impossibilidade [de viabilidade de realização] pelo município, buscaremos alternativas com a iniciativa privada que possuam interesse na realização da Virada Cultural em Sorocaba”, complementa a nota.

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Ao Mais Cruzeiro, por telefone, Gilberg Antunes classificou o modelo proposto pelo governo estadual como “inviável” para o município, já que, além de todas as responsabilidades legais e operacionais mencionadas, consumiria pelo menos R$ 250 mil reais em montagem de estrutura. “Acho muito importante a Virada Cultural, mas esse valor é inviável num momento de controle de despesa. Se eu tiver de gastar R$ 250 mil eu prefiro que seja investido em [atividades de] formação [cultural] do que queimar tudo em 24 horas”, argumentou, reiterando que, caso o projeto seja aprovado, vai tentar sensibilizar empresários para parcerias junto à iniciativa privada.

Novo modelo

Secretário considera inviável investimento para Virada Cultural
No ano passado, os shows da Virada Cultural Paulista, na cidade, se concentraram no Parque das Águas. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (24/11/2018)

O novo modelo da Virada Cultural Paulista foi detalhado na última terça-feira, dia 10, pelo secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado, Sérgio Sá Leitão, e o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. O representantes do governador João Doria anunciaram a realização do programa “Juntos pela Cultura”, que aglutina a Virada Cultural a outras quatro iniciativas que, por meio de chamadas públicas, prevêem repasse aos municípios de verba que soma R$ 12,5 milhões. Além da Virada, o programa reúne o Circuito SP, Tradição SP, Revelando SP e +Gestão.

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O governo estadual afirma que o novo programa tem como objetivo ampliar o acesso à arte e à cultura em todas as regiões do estado, que conta com 645 municípios. No entanto, de acordo com o regulamento, apenas quatro municípios paulistas, de diferentes macrorregiões, poderão ser contemplados com a Virada Cultural. O prazo de inscrições dos municípios termina no dia 30 de setembro. (Felipe Shikama)

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