fbpx
Cultura

Professor Bohdan Wijtenko receberá título póstumo de Doutor Honoris Causa

Homenagem ao pioneiro em levar meditação às escolas brasileiras será em março, por iniciativa da Uniso
A vida do professor é contada no filme “A lição do silêncio”. Crédito da foto: Divulgação.

Pioneiro em levar meditação às escolas no Brasil, o professor ucraniano Bohdan Wijtenko (1921-1985) que viveu em Sorocaba entre 1960 a 1985, receberá postumamente o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Sorocaba (Uniso). A concessão do título honorífico, dado por instituições de ensino superior para personalidades eminentes foi aprovada em outubro pelo Conselho Universitário e, segundo o professor Aldo Vannucchi, assessor Especial da reitoria, será entregue em março de 2019, na solenidade que dará início às comemorações do Jubileu de Prata (25 anos) da universidade.

Nas palavras de Vannucchi, Bohdan era “um homem que carrega a palavra professor no nome”. A história da vida, obra e legado do professor Bohdan Wijtenko é contada no documentário “A lição do silêncio”, dirigido pelo jornalista sorocabano Celso Fontão Jr., lançado ano passado com apoio institucional da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA) e da Uniso. No próximo dia 28, o filme terá sua primeira exibição no país natal de Bohdan, na Universidade Nacional de Kiev Taras Shevchenko.

Com cerca de 50 minutos de duração, “A lição do silêncio” teve sua avant-première em dezembro de 2017 na Sala Fundec. Desde então, o documentário foi exibido em sessões especiais em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Ouro Preto (MG), Pirenópolis (GO). A exibição mais recente ocorreu no último dia 27 no Sesc Vila Mariana, na capital paulista, e reuniu um público de cerca de 50 pessoas, entre praticantes de meditação e representantes do consulado da Ucrânia em São Paulo.

Leia mais  2020 promete ser um ano agitado em Sorocaba

O diretor diz que no momento não há previsão de nova exibição do filme em Sorocaba, mas os direitos do filme, para exibição em circuito comercial — em salas de cinema ou emissoras de televisão — estão sendo negociados. “Estou como um caixeiro-viajante, levando o filme onde me chamam”, diz.

Bohdan possuía formação científica ampla e diversificada: da engenharia química à filosofia hindu, versado em 14 idiomas, entre eles o sânscrito. Em Sorocaba, foi professor da Faculdade de Filosofia (Fafi), que mais tarde se transformaria na Uniso. Na cidade, Bohdan se dedicou ao ensino da prática da meditação com o objetivo de formar o que ele chamava de “técnicos”, para que levassem a meditação às escolas. Aldo Vannucchi estima que, ao longo de sua trajetória, Bohdan tenha iniciado pelo menos 15 mil pessoas na prática da meditação silenciosa. “Suas aulas eram oferecidas em reuniões semanais. Inicialmente na casa dele, na Vila Santana. Depois adquiriu uma chácara às margens da represa de Itupararanga, onde durante muitos anos, reuniu em torno de si pessoas de diferentes faixas etárias e profissões que semanalmente iam ao encontro dele”, comenta.

Os ensinamentos de Bohdan ainda são seguidos por grupo de técnicos que ensinam, há mais de 20 anos, a prática da meditação para crianças em escolas municipais de Sorocaba.

Gravação tem depoimentos de personalidades de Sorocaba

Leia mais  'O dia que eu morrer, aviso', brinca Ary Toledo em cama de hospital

Com produção da CMaria Comunicação, o filme foi gravado durante dois anos, com entrevistas em Sorocaba, Votorantim, São Paulo, Rio de Janeiro e Mykolaiv, na Ucrânia.
Além do professor Aldo Vannucchi, foram entrevistados, entre outros, o produtor cultural João Caramez, o artista plástico Pedro Lopes, o médico José Carlos de Campos Sobrinho e a doutora em Ciências da Religião, Irani Cordeiro Wullstein, autora de uma tese sobre o professor Bohdan. Também entre os entrevistados, está a professora ucraniana Halyna Lozko, doutora em Ciências da Religião e estudiosa de uma ordem político, filosófica e religiosa da qual o professor Bohdan fez parte: a Ordem dos Cavaleiros do Deus Sol, cujo brasão, que remete à imagem de São Jorge dominando o dragão, está no túmulo dele, em Votorantim.
O ator sorocabano Paulo Betti e os jornalistas Heraldo Pereira e Julio Mosquéra, colegas de trabalho de Celso Fontão Jr. na Rede Globo, em Brasília, narram alguns trechos do filme.

Professor denunciou genocídio stalinista à ONU

Nascido em 21 de novembro de 1921, no vilarejo de Zukotyn, no município de Kolomyia, Bohdan Wijtenko enfrentou, na década de 1930, o flagelo do Holodomor — o genocídio do povo ucraniano, cometido pelos stalinistas. Fugiu do país durante a Segunda Guerra Mundial e denunciou crimes do stalinismo à Organização das Nações Unidas (ONU). Morou na Alemanha e na Inglaterra antes de se mudar para o Brasil, em 1951, onde se tornaria um mestre da ioga e da meditação.

Leia mais  Museu de Arte Contemporânea sorteia obras de arte por R$ 100

Celso Fontão conta que a vinda dele ocorreu logo após a publicação do manifesto “I Accuse, Stalin”, em 1950, dirigido à recém-criada Corte Internacional de Justiça da ONU. “Eu considero meu dever sagrado lutar com as minhas armas em qualquer lugar, tempo e por qualquer pessoa que tiver os princípios da humanidade, liberdade, direito e ordem atacados sob a óbvia tentativa de destruí-los”, escreveu no documento, que atualmente integra o acervo das principais bibliotecas de universidades do mundo. “[A vinda ao Brasil] certamente foi motivada pelo medo de ser perseguido pela polícia secreta soviética, por causa do teor incisivo do manifesto”, diz Fontão.

O diretor do filme acrescenta que a atuação do professor Bohdan pela independência da Ucrânia, desde o domínio soviético, fez dele uma espécie de “herói nacional ucraniano”, nas palavras do embaixador Rostylav Tronenko, que tomou conhecimento da biografia ao assistir ao filme “A lição do silêncio”, em uma sessão especial realizada em dezembro, no Cine Brasília, na capital federal. Na ocasião, o embaixador expressou sua gratidão aos autores do filme por “mais uma história de vida que une a Ucrânia e o Brasil”.

Comentários