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‘Os fuzis da senhora Carrar’ estreia neste sábado (27) em Sorocaba

Montagem do texto de Bertold Brecht fala de guerra e humanidade
‘Os fuzis da senhora Carrar’ estreia hoje em Sorocaba
A peça de Brecht aborda que situações de conflito coletivo acabam desumanizando as pessoas. Crédito da foto: Divulgação

Considerada uma das obras mais dramáticas do repertório do dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, o espetáculo “Os fuzis da senhora Carrar” ganha uma montagem da Cia. Clássica de Repertório que estreia neste sábado (27), às 19h, no Teatro Escola Mario Persico.

Escrita em 1937 por Brecht em meio à Guerra Civil Espanhola, que entre os anos de 1936 a 1939 levou centenas de pessoas para as linhas de frente da guerra, a obra traz à cena a história de Tereza Carrar, moradora de uma pequena vila de pescadores e mãe de Pedro e Juan. Ela não quer que seus filhos sigam para a guerra, mas os generais avançam a cada minuto. A antagônica luta entre a neutralidade e definição de posicionamento político é levada até as últimas consequências num desfecho surpreendente.

A montagem surgiu como um exercício dentro do módulo de “Teatro épico”, do Teatro Escola Mario Persico. Fazem parte da produção os atores Matheus Caruso, Rafael Milbio, Giovanna Tegani e Natalia Oliveira. A peça de Brecht tem como preocupação maior demonstrar que situações de conflito coletivo, como foi a guerra civil espanhola, como foi a Primeira Guerra Mundial, desumanizam as pessoas, minam a capacidade humana de transcender sua desigualdade, de vencer suas diferenças, de ensaiar um mundo justo.

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De acordo com o diretor Mario Persico, a proposta do teatro brechtiano é contribuir para a formação intelectual do espectador, demonstrando-lhe a realidade de acordo com os processos, conceitos e formas de abordagem tomadas pelo autor à sociologia, ao marxismo, à economia e ao materialismo histórico. “Não há romantismo ou heroísmo em ‘Os fuzis da Senhora Carrar’. Há uma espécie de asco, de nojo calculado, de raiva cega contra a estupidez do homem no mundo, uma visão mordaz e clínica dos exageros da guerra, dos traumas ocasionados por ela, das dificuldades em tomar partido, em participar de uma realidade desgastante e corrosiva, angustiante mesma”, comenta. O Teatro Escola Mario Persico fica rua da Penha, 823, no Centro. Os ingressos serão vendidos no local a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Domingo também tem teatro

Neste domingo (28), às 20h, o Teatro Mario Persico apresenta o espetáculo “Servidão humana”. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e estarão à venda no local. Com direção de Mario Persico, a montagem é encenada pelos atores Tiske Reis, Giovana Tegani, Gabriele Clemente e Tomas Moreno. Nesta adaptação, o foco também são as relações amorosas e a dificuldade que as personagens têm de manter o controle sobre esses sentimentos. A adaptação de Mario Persico se fundamenta na tese de Étienne de La Boétiee e o discurso da “Servidão voluntária”, como forma para se entender como algumas pessoas se submetem a tanto sofrimento em nome de um suposto amor que só os arrasta a ruína e a destruição. A Cia. Clássica de Repertório realizou na década uma primeira adaptação do romance na década de 1980, intitulada “Tangos”, tendo Mario Persico no personagem central. (Da Redação)

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