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‘O Rei Leão’ volta aos cinemas para impressionar

Em formato de animação fotorrealista o filme, que teve sua versão original em 1994, abusa da tecnologia, mas sem perder a essência
‘O rei leão’ volta para impressionar
“O Rei Leão” ocupa, nesta semana, 23 salas de cinema de Sorocaba e Votorantim. Crédito da foto: Divulgação

Nos 25 anos que separam “O Rei Leão” original da nova versão — que estreia nos cinemas brasileiros hoje e ocupa 23 salas em Sorocaba em Votorantim — o mundo da animação se transformou. “O Rei Leão”, dirigido por Rob Minkoff e Roger Allers e lançado nos Estados Unidos em junho de 1994, foi uma das últimas animações feitas nos moldes tradicionais, com desenhos à mão. Menos de um ano e meio depois, Toy Story estreava, tornando normal a animação digital.

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Desde então, a computação gráfica avançou bastante, como se vê neste “O Rei Leão” dirigido por Jon Favreau. É tão realista que, se os animais não falassem, poderia passar facilmente por um documentário narrado por David Attenborough. Mas Favreau fez uma ressalva numa entrevista à imprensa, em Los Angeles: “Presta-se muita atenção à tecnologia, mas, na verdade, este longa também foi feito à mão. Os animadores trabalharam em cada quadro, cada ambiente visto no filme, a não ser por uma tomada — que eu quero que adivinhem”.

Favreau, que de ator de comédias e diretor de filmes leves virou o fundador do Universo Cinematográfico Marvel com “Homem de ferro”, já tinha experimentado a animação fotorrealista em “Mogli — o menino lobo”, de 2016. A equipe de “O Rei Leão” também jamais pisou o solo do continente africano, a não ser numa viagem de pesquisa para estudar o comportamento dos animais e as diversas paisagens que aparecem no filme. Depois disso, tudo foi feito em Playa Vista, a região que concentra as empresas de tecnologia em Los Angeles.

“Essencialmente, criamos um game multiplayer de cinema”. Em vez de usar aqueles macacões cheios de pontos, os atores foram convidados a um cubo negro em que, com a ajuda dos óculos de realidade virtual, conseguiam enxergar os terrenos pelos quais seus personagens estavam transitando. Os atores tiveram seus movimentos registrados pelas câmeras do diretor de fotografia Caleb Deschanel. Só depois disso os animadores começaram a trabalhar, baseando-se nas pesquisas da vida selvagem.

Na história, ele optou pela tradição. Muito pouco foi alterado em relação à produção de 1994, considerada um clássico. Simba (voz original de JD McCrary na infância, Donald Glover na fase adulta) é o herdeiro do trono de seu pai, Mufasa (James Earl Jones, o único que repetiu seu papel). Sua mãe é Sarabi (Alfre Woodard).

Aventureiro e um pouco arrogante, Simba é amigo e prometido de Nala (Shahadi Wright Joseph na infância e Beyoncé como adulta) e recebe lições valiosas de seu pai, como a do círculo da vida. Mas a convivência é curta: graças às armações de seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor), Mufasa morre no estouro de uma manada, Simba sente-se culpado e parte para o exílio, renunciando a seu papel de príncipe e curtindo a vida adoidado com Timão e Pumba (Billy Eichner e Seth Rogen). As famosas músicas, como “Hakuna matata”, continuam, com a adição de uma inédita, composta por Elton John e Tim Rice.

A maior mudança são as hienas, que eventualmente podem ser engraçadas, mas certamente são mais ameaçadoras do que no desenho original. Elas são a SS de Scar, que não está nem um pouco preocupado com a manutenção do círculo da vida e em pouco tempo destrói a natureza ao redor. A ressonância com os tempos de hoje é clara — como era em 1994, fazendo eco com o fim do apartheid na África do Sul. “O filme destaca as verdades na nossa vida. Não importa quem está ouvindo ou que idade tem”, disse Alfre Woodard. A tecnologia pode ter mudado muito em 25 anos, mas as mensagens de “O Rei Leão” continuam valendo.

Produção tem brasileiro na equipe

‘O rei leão’ volta para impressionar
Cenas clássicas do desenho animado ganharam tom realista. Crédito da foto: Divulgação

Para comandar a nova versão de “O Rei Leão”, o cineasta Jon Favreau contou com recursos até então inexistentes que lhe permitiram realizar uma proeza tecnológica. Rodado inteiramente em realidade virtual (apenas uma cena foi filmada), o longa permitiu ao diretor e sua equipe tomarem decisões que eram imediatamente visualizadas. Com isso, o filme orçado em US$ 250 milhões não pode ser definido como um produto em 3D tradicional.

“Montamos um estúdio com equipamentos modificados para que pudéssemos criar um estúdio virtual, onde o filme seria rodado, no bairro de Playa Vista, em Los Angeles”, conta o brasileiro Bernardo Machado, de 32 anos, chefe de finanças da empresa de realidade virtual Magnopus, que desenvolveu a tecnologia e cuja sede está em Los Angeles. “Recriamos o mundo de ‘O Rei Leão’ em VR [sigla em inglês para realidade virtual], com todos os animais, savana, árvores, montanhas, sol, Pedra do Rei, etc. A equipe de produção do filme colocava o headset e podia andar e voar para qualquer posição, mudar os objetos com as mãos e utilizar as câmeras e equipamentos de luz virtuais para capturar as cenas”.

Na prática, isso significava que, caso Jon Favreau não gostasse da sombra projetada, ele simplesmente mudava a posição do Sol. Machado acredita que, ao unir a expertise de efeitos especiais com programação de software, será possível revolucionar o modo de transmissão do conteúdo. “Por termos background na indústria de entretenimento, especialmente no cinema [nossos executivos já ganharam Oscar, Globo de Ouro, Emmy), o primeiro passo foi gerar uma ruptura no cinema, que não mudava seu método de produzir filmes há décadas”, diz.

Primeiro filme demorou 6 anos

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Timão e Pumba seguem ao lado de Simba em suas aventuras. Crédito da foto: Divulgação

A nova versão de “O Rei Leão” chega aos cinemas quando se completam 25 anos da estreia da animação dos estúdios Disney. Naquele ano de 1994, o filme logo conquistou uma estrondosa bilheteria nas salas (cerca de US$ 45 milhões) e também na versão em vídeo (mais de 55 milhões de cópias, ainda hoje um recorde).

Naquela época que antecedeu a digital, o desenho foi criado principalmente nas mesas dos artistas de animação dos estúdios da Disney. Foram seis anos de trabalho até o material estar pronto. E, contrariando as expectativas negativas, a animação faturou dois prêmios Oscar: melhor canção original e melhor trilha sonora.

O projeto nasceu em 1988, quando a Disney decidiu criar um longa animado que fosse ambientado na selva africana. Era o primeiro trabalho que não partia de uma história já concebida. Assim, o roteiro tem 28 assinaturas, uma força-tarefa para criar o drama shakespeariano do jovem leão Simba.

Por utilizar ainda um técnica artesanal, o desenho demandou tempo. A morte do rei Mufasa, por exemplo, no meio de uma manada de gnus em correria, consumiu dois anos para ser finalizada — na tela, corresponde a dois minutos. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)

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