Cultura

Memórias inspiram criações da jovem artista Juliana Torres

Exposição segue até 15 de outubro e reúne obras que refletem sobre as lembranças
Memórias inspiram criações da jovem artista Juliana Torres
“Museu de memórias imaginárias” apresenta trabalhos que transitam entre o arquivo e apropriação de fotografias, colagens e costuras. Crédito da foto: Divulgação

Para onde as memórias vão depois que se esvaem de seu próprio autor? O questionamento inusitado da artista visual sorocabana Juliana Torres deu origem à exposição “Museu de memórias imaginárias”, que será aberta ao público neste sábado (14), das 16h às 19h, na Fernanda Monteiro Galeria (rua Gustavo Teixeira, 600, Mangal). A entrada é gratuita. A exposição inédita tem curadoria de Fernanda Monteiro, fica em cartaz até 15 de outubro e pode ser vista de terça a sexta-feira, das 15h às 19h.

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Percorrendo os caminhos da memória, a jovem artista de 22 anos propõe um percurso sinuoso entre o real e o imaginário, composto por uma série de imagens e pequenos textos que colocam o espectador em um estado de suspensão. Afinal, questiona a artista, as memórias são individuais ou coletivas?

“Museu de memórias imaginárias” é o terceiro projeto apresentado no espaço independente por meio de uma convocatória realizada pela galeria. A exposição reúne trabalhos que transitam entre o arquivo e apropriação de fotografias, colagens e costuras que retratam a imprecisão das lembranças e propõem uma reflexão acerca do tema, sem a preocupação de encontrar precisamente uma resposta.

Montada em dois ambientes da galeria, a exposição conta com uma instalação com três placas de vidro suspensas, com fotografias quase translúcidas sobrepostas, que formam uma espécie de cabine com vestígios de memórias inconscientes que resistem ao apagamento completo. Na mesma sala, uma mesa acomoda o livro da artista, com fotografias, desenhos, poesias e anotações, em folhas soltas que convidam o visitante a manusear e construir suas próprias narrativas. O móvel também acomoda uma da artista Tamy Piu, intitulada “Atlas fóssil”.

No segundo ambiente da galeria, o visitante pode conferir uma coleção de dez telas de 10 x 10 centímetros, expostas do lado avesso, com silhuetas vazadas e frases datilografadas de poemas escritos por Carlos Drummond de Andrade e pela própria artista. A mostra conta, ainda, com um voal de três metros de comprimento, com fotografias antigas da família da artista, criando uma cortina de memórias.

Imagens sobreviventes

As obras, produzidas com maior intensidade neste ano e que compõem a exposição, são desdobramento da pesquisa acadêmica intitulada “A metamorfose da memória em imagem fotográfica”, desenvolvida a partir de uma iniciativa de pesquisa-ação do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade de Sorocaba (Uniso), da qual resultou um livro de artista como subproduto de seu trabalho de conclusão de curso.

Memórias inspiram criações da jovem artista Juliana Torres
“Quais imagens sobrevivem em nossa memória?” é uma da reflexões propostas por Juliana Torres. Crédito da foto: Divulgação

Juliana destaca que a proposição do “Museu de memórias imaginárias” visa construir, a partir de um processo coletivo, linhas de memórias e imagens sobreviventes que teceram a vida de cada uma de nós de alguma forma — daí parte a ideia de se constituírem como uma espécie de museus imaginários. “Como lembrar delas? Onde procurar suas imagens, já que a sua migração é tão incerta e passa por tantos caminhos subjetivos, afetivos, coletivos, pessoais, mecânicos, orgânicos, escondidos, revelados?”, questiona. Segundo Juliana, enquanto os algoritmos criam bancos de imagens automatizadas e massivas, o “Museu de memórias imaginárias” quer ativar outras formas de lembrar: “uma memória fragmentária, afetiva, involuntária, cheia de lapsos e de imagens que sobrevivem segundo caminhos pouco sondáveis. Quais imagens sobrevivem em nossa memória?”, complementa.

“O que é real, o que é ficcional, o que é próprio, o que é alheio? A memória pertence ao campo da ambiguidade, a mesma que nos seduz na arte contemporânea. Aliás, o que é o contemporâneo senão um tempo além do tempo, com o tempo. A arte cria o tempo, o lapso, a fresta, o atemporal, o anacrônico, o paradoxo. Assim, Juliana Torres nos convida a viajar neste tempo, evocando imagens de outros tempos, que se fundem e criam o ‘Museu de memórias imaginárias’, onde se busca preservar inutilmente o que é fugaz”, escreve a curadora Fernanda Monteiro.

No próximo sábado, dia 28, das 10h às 12h, Juliana vai compartilhar seu processo criativo com o público interessado no Café Tertúlia, ação gratuita promovida pela galeria com intuito educativo, para aqueles que desejam conhecer mais sobre o artista e sua produção, oportunizando aos interessados de forma gratuita uma interlocução direta, em um momento pós-abertura da exposição. São oferecidas 15 vagas e os interessados devem se inscrever previamente pelo e mail fernanda.arte11@hotmail.com ou pelo telefone (15) 3222-0701.

Sobre a artista

Natural de Sorocaba, Juliana Torres é licenciada em Artes Visuais pela Universidade de Sorocaba (2017); atuou como mediadora em exposições do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) e na Fernanda Monteiro Atelier e Galeria de Arte entre 2017 e 2019; participou da residência fotográfica para Mulheres “Encontro com o Subterrânea”, com a fotógrafa e artista visual Camila Fontenele, que resultou na mostra fotográfica coletiva “Auto-Mar” que ficou exposta no saguão da Fundec em 2017. Juliana também atuou como arte-educadora em oficinas direcionadas para o público infantil e participa regularmente de feiras de arte autoral na cidade. (Felipe Shikama)

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