Cultura

HQ inspirada em Mariana é lançada 50 dias antes de tragédia em Brumadinho

"Lama" foi lançada durante a Comic Con Experience, entre os dias 6 e 9 de dezembro do ano passado
Quadrinho Lama
Quadrinho Lama foi inspirado em tragédia de Mariana – Foto: Fábio Rogério

Dois colegas de trabalho, comovidos com a tragédia que devastou Mariana em 5 de novembro de 2015, resolveram criar uma história em quadrinhos inspirada no rompimento da barragem de Fundão, na cidade do interior mineiro. A narrativa foi lançada durante a Comic Con Experience, entre os dias 6 e 9 de dezembro do ano passado. Mal sabiam eles que, 50 dias depois, um acidente semelhante ao abordado na HQ “Lama”, devastaria, desta vez, o município de Brumadinho, na última sexta-feira (25).

O trabalho foi desenvolvido em um ano pelo ilustrador Marcel Bartholo, de Sorocaba, junto do roteirista Rodrigo Ramos. A trama, que não tinha a pretensão de recontar o caso ocorrido em 2015, usou Mariana como referência para criar um “monstro do pântano” que se vinga dos seres humanos por terem acabado com a água da cidade após uma tragédia com lama. “Aproveitei essa história para falar de um monstro aquático, fazer uma espécie de denúncia sobre o crime de Mariana e fazer as pessoas pensarem”, contou o roteirista.

Marcel Bartholo
Marcel Bartholo ilustrou “Lama” e outros quadrinhos independentes – Foto: Fábio Rogério

Apesar dos elementos do trabalho, os artistas optaram por não fazer qualquer referência direta à tragédia, em respeito às pessoas que sofreram com o incidente. O novo desastre ambiental também foi uma surpresa para os criadores de “Lama”, pois eles imaginavam que o rompimento da primeira barragem fosse conscientizar os responsáveis. “Em pleno 2019, três anos depois do primeiro incidente, lançamos o quadrinho pensando que isso nunca fosse acontecer de novo”, declarou Rodrigo.

“A ideia do Lama é fazer como se a própria natureza se vingasse”, disse Marcel. E este foi o ponto de partida para criar as personagens do quadrinho, que, assim como a história real, não terminou com um final feliz para os moradores da cidade fictícia. O rio que abastecia o local foi tomado por lama, mas as condições em que isso aconteceu não são deixadas explícitas. O monstro, que aparece na trama para vingar o que aconteceu, é trazido do folclore brasileiro.

Lama demorou cerca de um ano para ficar pronta – Foto: Fábio Rogério

Perguntado sobre uma possível parte dois de “Lama”, o ilustrador afirma que o papel da primeira HQ foi de informar sobre a impunidade e declara que não há planos de narrar o ocorrido em Brumadinho. “O que tem que acontecer agora é no mundo real, a ficção pode ir por outro caminho”, explicou.

Marcel também organiza o “Ilutradoria”, no Sesc Sorocaba, sempre nas últimas quintas-feiras do mês, a partir das 18h. O evento tem entrada gratuita e promove palestras e debates sobre ilustração, desenhos e criação artística.

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Dia do Quadrinho Nacional

Carlos Estefan é roteirista da Turma da Mônica – Foto: Fábio Rogério

Nesta quarta-feira (30) é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional e o roteirista Carlos Estefan, de Sorocaba, transformou o hobby de criança em profissão e paixão para a vida toda. Formado em publicidade, Carlos perdeu as contas de quantos gibis da Turma da Mônica já fez para a empresa de Mauricio de Sousa, para quem trabalha atualmente.

Desde muito novo, ainda lendo as histórias da Turma da Mônica, Carlos sonhava em trabalhar com gibis e para o cartunista mais famoso do País. Carlos resolveu entrar em contato com Mauricio pelo Twitter, em 2009, quando tinha 24 anos. Ele enviou roteiros de novas histórias para a turma, que foram aceitas por Mauricio.

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Carlos roteirizou HQ entre a Turma da Mônica e a Liga da Justiça – Foto: Fábio Rogério

Desde então, o publicitário é responsável pela criação de roteiros dos gibis da turma, como o crossover recém-lançado entre a Turma da Mônica a Liga da Justiça e uma paródia da turma com a série “Stranger Things”.

Além destes trabalhos, Carlos realizou outros independentes, como as HQs “Gatilho” e “Legado” sobre faroeste, com o ilustrador Pedro Mauro. “Quando escrevo para a Turma da Mônica não escrevo pensando só nas crianças, mas em fazer uma boa história, independente de quem lê”, disse o autor sobre as produções. Segundo Carlos, além do humor nas histórias ele busca passar boas mensagens, como valores sobre amizade, bondade e que estimulam as crianças a ler. “O principal é passar para as pessoas que ainda é divertido ler”, finalizou o roteirista. (Supervisão: Regina Helena Santos)

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