Cultura

Exposição mostra que tecnologia começa a virar peça de museu

“Tecnossauros” reúne objetos que, até pouco tempo, eram usados no cotidiano
Tecnologia começa a virar peça de museu
Aparelhos de telefonia estão entre os itens que chamam atenção pela grande mudança que tiveram nas últimas décadas. Crédito da foto: Divulgação / Secom Sorocaba

Peças que já representaram a vanguarda da tecnologia e agora são totalmente obsoletas compõem a exposição “Tecnossauros”, em cartaz até 31 de outubro no Museu da Estrada de Ferro Sorocabana (MEFS). A exposição reúne cerca de vinte objetos, entre equipamentos de comunicação e entretenimento, como máquina de escrever, câmeras fotográficas, fax, televisor, telégrafo, aparelhos de telefones fixo e celular, rádio portátil, videogame e fitas K7 e VHS.

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Além de peças do acervo permanente do MEFS — que reúne exemplares relacionados à tecnologia das telecomunicações –, a mostra, que faz parte da programação especial em comemoração aos 365 anos de Sorocaba celebrado no último dia 15, conta com objetos peças cedidos por colecionadores particulares. Realizada pela Secretaria da Cultura (Secult), o objetivo da exposição é apresentar aos visitantes objetos tecnológicos que hoje são considerados obsoletos.

Segundo Daniella Moreira, museóloga da Secult, a mostra temporária, que ocupa duas salas do MEFS, reúne objetos que guardam grandes memórias e sugerem ao público um sentimento de nostalgia, especialmente em brinquedos da década de 1980, como o Atari e o Genius. “A ideia é instigar as pessoas a refletirem também sobre a rapidez da mudança e sobre o consumismo exagerado da nossa sociedade, como por exemplo, com o celular, que trocamos numa velocidade muito rápida, sem necessidade, apenas pela novidade”, afirma.

O nome da exposição, “Tecnossauro” — união de duas palavras (tecnologia e dinossauros) que são antagônicas, principalmente dentro dos museus — toma emprestado um conceito desenvolvido pelo escritor e jornalista italiano Nicola Nonsego, que se refere aos equipamentos tecnológicos que, por diversos motivos, se tornaram obsoletos e foram substituídos por novas tecnologias.

Tecnologia começa a virar peça de museu
As famosas máquinas de escrever, calculadoras e registradoras foram substituídas pelos computadores. Crédito da foto: Divulgação / Secom Sorocaba

Em seu livro “A extinção dos tecnossauros” (2008), Nonsego mescla saborosos relatos históricos com teorias que ajudam a explicar como alguns produtos lançados no mercado e, muitas vezes, usados cotidianamente por décadas, tornaram-se obsoletos ou foram substituídos por outra tecnologia, até desaparecer. Ou melhor, serem vistos apenas em museus.

É que além de despertar sentimento de nostalgia e promover a discussão sobre consumo e e obsolescência, a exposição também suscita debates na área da museologia, já que impõe a seguinte questão: o que é e o que não é peça de museu? “A partir do momento que uma peça é musealizada, ela perde o uso funcional”, complementa Daniella.

O objeto mais antigo que está exposto é uma câmera fotográfica da década de 1930 e os mais recentes são os celulares dos anos 2000. “O mais legal é ver que tudo isso [itens da exposição] agora cabe em um celular”, comenta a museóloga, prevendo que muitas das tecnologias cobiçadas atualmente tendem a ser obsoletas num futuro próximo.

De acordo com a Secretaria da Cultura, grupos interessados podem fazer uma visita monitorada, de segunda a sexta-feira, devendo entrar em contato com a equipe do museu pelo telefone (15) 3231-1026 ou pelo e-mail mefs@sorocaba.sp.gov.br.

A exposição “Tecnossauros” pode ser visitada gratuitamente de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e sábados, domingos e feriados, das 12h às 16h. O MEFS fica na Álvaro Soares, 533, no Jardim Maylasky, em frente à antiga Estação Ferroviária. (Felipe Shikama)

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