Cultura

Espaço Cultural Du-Arts é aberto a todo tipo de manifestação artística

Quem passa pela residência não imagina o tanto que o espaço realiza em Sorocaba em termos de eventos
Espaço Cultural Du-Arts é aberto a todo tipo de manifestação artística
Crédito da foto: Emidio Marques

À primeira vista, a residência térrea situada em um lote de 150 metros quadrados no Jardim Maria Eugênia, na zona norte de Sorocaba, parece ser pequena para abrigar eventos voltados a diferentes manifestações artísticas. O muro da frente é decorado com relevos de cimento, com enxertos de tampinhas de garrafas e outros materiais reciclados, que reproduzem um rosto negro — um misto arlequim com carranca que, simbolicamente, convida o público à apreciação da arte e, ao mesmo tempo, assume função mística de afugentar a negatividade.

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Localizada na rua Antonio São Leandro, nº 76, há duas décadas a casa tem as portas abertas à população em geral, sob o nome fantasia de Espaço Cultural Du-Arts, paranomásia do sobrenome da proprietária, a artista plástica Ana Duarte, que mora no imóvel. Recinto conhecido e frequentado por artistas e apreciadores de diferentes linguagens artísticas, o espaço independente é assiduamente usado como palco de espetáculos de teatro, dança, exposições de artes visuais, shows musicais e saraus literários. “Para mim é um prazer ver toda essa efervescência cultural no meu quintal. O que me motiva a manter esse espaço é reunir as pessoas interessadas em fazer e apreciar a arte independente. E eu gosto de viver aqui, porque eu respiro arte o tempo todo”, comenta Ana.

Espaço Cultural Du-Arts é aberto a todo tipo de manifestação artística
O muro da frente é decorado com relevos de cimento e enxertos de tampinhas de garrafas e outros materiais reciclados, que reproduzem um rosto. Crédito da foto: Emidio Marques

A transformação do quintal da casa em teatro de bolso, que possui uma arquibancada com capacidade para 50 pessoas, teve início em 1998. Até então, nos fundos do imóvel, já coberto e com espelhos na parede, funcionava a escola de dança da sua filha, a bailarina e coreógrafa Alessandra Duarte. “As turmas montavam espetáculos, mas não tinham onde se apresentar. Era difícil achar espaço e tinham que ficar esperando uma data no Teatro Municipal”, lembra Ana.

Incentivada pelo diretor teatral Dado Carvalho, a família de Ana deu início às primeiras adaptações no espaço, como colocação de cortinas pretas. Em seguida, o local ganhou arquibancada de madeira feita pelas mãos do marido de Ana, o jornalista, compositor e produtor musical Oswaldo Biancardi Sobrinho, falecido em agosto de 2016. Ao longo do tempo, outros grupos passaram a retribuir a ocupação do espaço para ensaios e espetáculos, em investimentos como ventiladores, refletores e piso de linóleo. “A próxima meta é instalarmos um ar condicionado”, afirma.

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Durante esses 20 anos, o Espaço Cultural Du-Arts sediou inúmeros eventos artísticos, consolidando-se como um importante território cultural em Sorocaba, que contribui para a descentralização de espetáculos e eventos culturais. “Longe é uma questão ponto de vista. Para nós, daqui da zona norte, é perto e o Teatro Municipal é que é longe”, brinca.

Segundo Ana Duarte, desde que foi oficialmente aberto ao público, o espaço cultural sempre recebeu apoio da população do Jardim Maria Eugênia e de bairros adjacentes, “e compreensão e prestígio dos vizinhos”, acrescenta.

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Ana Duarte participou como atriz do espetáculo “Faces de uma mulher”, do diretor Marcelo Nascimento. Crédito da foto: Emidio Marques

Temporadas de teatro e saraus

O ano de 2018 termina com um balanço consistente já que, entre diversas atividades, o Espaço Du-Arts recebeu temporadas dos espetáculos teatrais “Alma”, da Cia. das Artes Dramáticas (CAD); e “Faces de uma mulher”, do diretor Marcelo Nascimento, em que Ana Duarte participa como atriz.

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Há pelo menos dois anos, mensalmente, sempre no segundo sábado, o espaço recebe dois saraus literários gratuitos com microfone aberto a todos os interessados. Um deles é coordenado pelo professor e poeta Roberto das Flores, que se alterna, no mês seguinte, ao organizado pelo coletivo Poetarte, do qual Ana é integrante e possui três coletâneas publicadas. “Acho que o espaço é um divisor de águas porque até então, nós não tínhamos nada no bairro que acolhesse os artistas que precisam de espaço. A Ana tem uma nobreza de alma em abrir e dividir a casa dela com a arte”, comenta Roberto das Flores. O próximo sarau literário ocorrerá no dia 19 de janeiro, das 19h às 22h, e vai homenagear o poeta sorocabano JC Freitas e a poetisa mineira Adélia Prado.

Dança, artes plásticas e ainda rodas de samba aos domingos

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Além do teatro de bolso, os fundos da casa possui um ateliê onde a proprietária do imóvel dá aulas de pintura e artesanato e desenvolve trabalhos de artes plásticas. Crédito da foto: Emidio Marques

Aos sábados, das 8h às 15h, o espaço cultural é usado para aulas de dança ministradas por uma equipe comandada pela professora Lilian Cristine. “São mais de cem alunos”, comenta. O uso do espaço multicultural, segundo Ana, está à disposição a todos os artistas independentes e é cobrada apenas uma taxa simbólica para custeio da conta de energia elétrica e nas despesas de manutenção do imóvel.

Além do teatro de bolso, os fundos da casa possui um ateliê onde a proprietária do imóvel dá aulas de pintura e artesanato e desenvolve trabalhos de artes plásticas, principalmente com o reaproveitamento de materiais reciclados.

Para 2019, além de manter a agenda do teatro de bolso repleta de espetáculos, Ana Duarte planeja transformar a área da entrada em um bar, com mesas desmontáveis para rodas de samba aos domingos. “Esse era um sonho do Oswaldo, meu marido, que vou realizar por ele”, conclui.

Esta reportagem encerra a série “Palco independente”, do Mais Cruzeiro, que apresentou durante todo o mês, aos domingos, espaços privados e independentes de cultura destinados à formação, pesquisa e fruição das artes cênicas em Sorocaba. (Felipe Shikama)

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