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Curta de alunos do Ceunsp abordará a masculinidade tóxica

Formandos do curso de Cinema, em Itu, preparam filme sobre pressões sociais sofridas pelos meninos



Curta abordará a masculinidade tóxica
O elenco do curta já tem se reunido para estruturar os trabalhos da produção. Crédito da foto: Reprodução Facebook

Tema praticamente inexplorado no cinema nacional, a masculinidade tóxica será abordada em um curta-metragem produzido por estudantes de cinema da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). A produção será realizada por um grupo de formandos, como trabalho de curso de Cinema do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), de Salto.

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Segundo o estudante ituano Vinícius Oliveira, de 21 anos, o filme intitulado “Alfazema” abordará as consequências da chamada masculinidade tóxica, inserida durante a fase de desenvolvimento dos meninos, mostrada por meio de situações do cotidiano brasileiro. Expressão do ano de 2018 do dicionário Oxford, a “masculinidade tóxica” é um termo usado para definir um comportamento cultural de afirmação da masculinidade, onde a força e a agressividade são consideradas virtudes, enquanto a sensibilidade e as emoções são tidas como fraquezas.

Para viabilizar o curta, o grupo está realizando uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse (www.catarse.me/alfazema), que tem como meta arrecadar R$ 2 mil até amanhã, dinheiro que será destinado para custos de produção, como deslocamento, figurino, cenografia, elenco, recursos de acessibilidade, entre outros.

Oliveira, que assina a direção e é co-roteirista do filme, detalha que a abordagem do curta de 15 minutos de duração ocorrerá de forma crítica e sensível, com o enfoque na aproximação e na identificação do público com o cotidiano de Théo, um garoto de 12 anos que descobriu cedo o amor pela arte e pelas flores. Após perder a mãe, ele passa a viver com o pai, que repudia os atos e gostos do menino. Cercado em casa e na escola, Théo precisa se decidir entre ser quem é, ou ser algo que não gosta, apenas para ser aceito na sociedade.

O estudante revela que o roteiro, desenvolvido por Bruna Maria, foi baseado em sua experiência durante a infância na escola, onde sofria bullying e pressão dos colegas por não gostar de futebol e se mostrar mais sensível às manifestações artísticas. “Era uma coisa que acontecia não só comigo. Também via outros meninos sofrendo. A ideia [do filme] é mostrar que tudo bem não gostar e não agir da maneira ‘padrão’”, comenta. “Por que para ser ‘macho’ tem que gostar de futebol, achar que atividade doméstica é só da mulher e é homem é quem banca a casa?”, questiona.

Delicadeza

“Alfazema”, título do filme, faz alusão à planta que, além de seu perfume delicado, é comumente usada em chá para diminuir a ansiedade e a depressão. “O Théo é essa alfazema, que quer levar conforto a todos”, acrescenta o diretor, citando que o título também foi inspirado na canção homônima da banda BaianaSystem.

O estudante destaca que tanto no cinema nacional quanto em Hollywood, na esteira do movimento #MeToo, é crescente o número de produções que denunciam expressões de machismo — mas que a masculinidade tóxica, uma espécie de raiz naturalizada na sociedade, é um tema praticamente inédito nas telonas.

Segundo Oliveira, o curta infanto-juvenil pretende promover o diálogo entre as crianças e adolescentes e também alertar os pais para a reflexão, já que muitas vezes a masculinidade tóxica também é exercida e reproduzida em casa, no ambiente familiar.

Além de Vinícius Oliveira e Bruna Maria, a equipe de formandos é composta por Júlia Portella (produção executiva), Bruna Maria (roteiro), Bruno Barbosa (direção de fotografia), Rachel Aranha (direção de arte), Rafael Tucunduva (direção de som) e Thaís Garrido (direção de montagem).

De acordo com o cronograma dos produtores, o filme será rodado em julho em Itu e terá como locações a casa da casa da avó de Oliveira, uma floricultura parceira e a quadra do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. A contemplação do filme pela banca examinadora da faculdade ocorre em dezembro, mas o filme deverá ter sua primeira exibição pública no Curta Salto — Festival de Cinema de Salto, que tradicionalmente ocorre em novembro na Sala Palma de Ouro. (Felipe Shikama)

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