Cultura

Comerciante Zé Franco dará nome a Orquestra de Violas de Sorocaba

Grupo será batizado em evento na próxima terça-feira, no Mercado Municipal
Além de seu tradicional trabalho com ervas, Zé Franco era muito ligado à música sertaneja e ao cururu. Foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS

A Orquestra de Violas de Sorocaba ganhará o nome de Zé Franco, em homenagem ao famoso comerciante do Mercado Municipal, que faleceu em 14 de julho do ano passado. A iniciativa é da gestão do prefeito José Crespo, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secultur). O evento especial ocorrerá na próxima terça-feira, dia 15, às 19h, em frente ao Mercado Municipal, no Centro da cidade. O evento especial será aberto ao público e contará com a presença dos cantores e compositores Craveiro e Cravinho, que serão padrinhos do grupo.

Apesar de ter se tornado conhecido pelo seu trabalho com ervas, Zé Franco era muito ligado à música sertaneja e também ao cururu. Em parceria com o ator e diretor teatral Pedro Salomão José, que foi presidente do Clube União Recreativo, Zé Franco trouxe muitos cantores a Sorocaba. Na última entrevista que concedeu ao jornal Cruzeiro do Sul, em 2013, ele fez questão de dizer que era apenas apresentador, e não cantor. Foi amigo de Roque José de Almeida, grande compositor sorocabano, e através dessa amizade conheceu muitos artistas. E assim Zé Franco também fez um nome nesse meio. Zé Franco faleceu aos 95 anos, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“Será um momento muito especial para todos nós, amigos, e também para os familiares do Zé Franco. A nossa Orquestra de Violas de Sorocaba vai receber o nome de uma figura querida e respeitada da cidade. Estamos muito felizes com essa homenagem”, destaca o secretário de Cultura e Turismo, Werinton Kermes.

A Orquestra de Violas de Sorocaba teve início em 14 de novembro de 2018, numa iniciativa da Secretaria de Cultura e Turismo com o objetivo de resgatar a viola caipira como uma expressão da cultura popular brasileira. Atualmente, o grupo é formado por 19 pessoas, sendo 16 homens e três mulheres.

Sob a responsabilidade do músico violonista Sidnei dos Santos, o grupo se reúne semanalmente às quartas-feiras. Já às sextas-feiras, são destinadas aos iniciantes. Os ensaios ocorrem no Barracão Cultural e, a partir de 20 de janeiro, vão ser realizados na Escola de Cultura e Artes Ettore Marangoni, no Jardim Sandra.

O repertório da orquestra possui 15 músicas, como “Chico mineiro”, “Amargurado”, “Menino da porteira”, “Pagode em Brasília”, “Chalana”, entre outras. Os violeiros já se apresentaram na inauguração da Escola de Cultura e Artes e também durante a programação da 2ª edição do projeto “Natal Mágico: Paz na Terra” na Praça Coronel Fernando Prestes, no Centro da cidade.

Mais informações sobre a Orquestra de Violas de Sorocaba podem ser obtidas pelos telefones: (15) 3211-0143 e 3211-0578.

A Orquestra de Violas de Sorocaba foi criada no último mês de novembro e é formada por 19 pessoas. Foto: Divulgação / Secom Sorocaba

Homenagem apropriada

“Quando se fala em homenagem geralmente as pessoas pensam em nome de rua, de praça, não que não seja importante isso, mas ter o nome do meu pai em uma Orquestra de Violas fala muito com o coração dele, porque era do que ele gostava”, afirma José Franco de Camargo Júnior, filho do Zé Franco.

Júnior lembra que seu pai tinha um apreço enorme por moda de viola e cururu, e que nos anos 1960 e 1970, chegou a patrocinar programas caipiras exibidos nas rádios. “Ele ainda ajudava na logística, a levar cantores para outras cidades. Isso foi a vida dele.”

Para Júnior, foi um acerto essa homenagem. “Casou muito com o espírito dele, que era um espírito que gostava de arte, ele era uma pessoa de festa, de música… Meu pai também patrocinou discos e inúmeros shows realizados na cidade em clubes pequenos de futebol como o Barcelona.”

Além da moda de viola e cururu, Zé Franco chegou a trazer o Roberto Carlos, bem no auge da carreira, para um show no Ginásio de Esportes. Para Zé Franco, lembra ainda o filho, o que interessava era fazer acontecer. “Se o evento fosse ser lucrativo ou não, isso ele ia ver depois.”

Há pouco tempo, aconteceu um fato inusitado com José Júnior. Ele foi para a Itália, lugar que seu pai tinha vontade de conhecer, e aproveitou para levar uma foto do Zé Franco para colocar em uma igreja e receber bênção. No entanto ele tentou deixar em uma capela, mas não sentiu que era ali que teria de ficar e então, quando chegou na Basílica de San’t Andrea delle Fratte, bem naquele momento entrou um frade com uma viola pendurada nas costas. Para Júnior foi um sinal. Sentiu que ali que a foto deveria ficar. “Depois vem o Werinton pedindo autorização para homenagear meu pai”, conta, emocionado.

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