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Cultura

A arte da fotografia amazônica em exposição no Sesc Sorocaba

“Atravessamentos”, que abre hoje no Sesc, reúne trabalhos produzidos pelos integrantes do coletivo Fotoativa
A arte da fotografia amazônica em exposição
Exposição contempla a arte contemporânea produzida no norte do País – Foto: Indiara Duarte / Divulgação

O Sesc Sorocaba recebe a partir desta quinta-feira (4) a exposição “Atravessamentos: fotoativa ontem e hoje”. A mostra reúne trabalhos produzidos pelos integrantes do coletivo Fotoativa, fundado em Belém (PA) em 1984, com intuito de fomentar a prática cultural fotográfica na região amazônica. Com curadoria de Camila Fialho, a exposição é construída sobre três pilares: a memória do grupo, as trocas e partilhas presentes e o transbordamento. Além disso, bate-papo sobre a exposição, intervenções fotográficas e uma oficina também fazem parte da programação.

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O Fotoativa nasceu e se consolidou em Belém (PA) e, de acordo com Ana Carolina Massagardi, técnica de programação responsável pela área de Artes Visuais do Sesc Sorocaba, era uma ideia antiga trabalhar com um coletivo oriundo do norte do país. “Sempre tivemos vontade de trabalhar com a arte contemporânea que era produzida no norte do país. Acredito que lá eles possuem outra visão de tudo e nós estamos muito condicionados a este eixo Rio — São Paulo. Queríamos trazer outros olhares sobre a visão da arte”, justifica. Por meio de oficinas, vivências e intervenções, a organização tomou forma histórica, obtendo, com o passar das décadas, diferente gerações de fotógrafos, parceiros e entusiastas que, juntos, colaboram na proposição de novas obras e materiais artísticos.

A curadora do grupo, Camila Fialho, salienta o clima de afeto e relações conjuntas reafirmando que “a Fotoativa é por essência um lugar de afeto, encontro e trocas”. Fialho aponta este fator como sendo um dos principais fomentadores dos processos de criação do Fotoativa. “Estar junto, ativar práticas de colaboração nos processos de construção artística, reflexiva e educativa faz parte de nosso cotidiano. O convívio acaba por criar um campo fértil de contaminações. Muitas vezes não sabemos dizer muito ao certo onde acaba a ideia de um e começa a do outro”, diz.

Além da memória, apresentada por meio de registros históricos do próprio grupo, a exposição tem como base criativa as trocas e partilhas, focada na subjetividade do processo fotográfico colaborativo. Por fim, o transbordamento visa agregar à exposição uma questão importante dentro dos conceitos que o coletivo Fotoativa carrega. Para o grupo, é necessário despertar um novo jeito de observar, mais crítico e sensível perante as nuances do mundo. Por fim, todos esses pilares resultam em atravessamentos entre história, criticidade e sensibilidade.

A arte da fotografia amazônica em exposição
Coletivo Fotoativa trabalha um novo jeito de observar, mais crítico e sensível – Foto: Indiara Duarte / Divulgação

Intervenções

Nesta quinta (4), às 18h, os visitantes poderão conferir duas intervenções. A primeira, “Retratos”, consiste em um dispositivo de uma câmera construída artesanalmente e oferece ao público experiência da comunhão do tempo do preparo de um retrato “à moda antiga”, criando um elo de cumplicidade entre fotógrafo e retratado. Os retratos serão captados em chapas de raio-x e, imediatamente, revelados em laboratório, permitindo ampliar as fotografias por contato no mesmo ambiente.

Ao mesmo tempo, será apresentada a intervenção “Exercícios para o Hagakure II”, com Miguel Chikaoka, o fotógrafo e fundador do Fotoativa. O artista propõe expandir a leitura de “Hagakure”, criada em 2003, convidando o espectador a fotografar seu próprio olho, que será impresso em negativo (transparente) e depois perfurá-lo com um espinho de tucumã.

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Já na sexta-feira (5), às 19h, e sábado (6), às 10h, Miguel Chikaoka coordena a oficina — “Fototaxia: experimentando as possibilidades da luz para além da fotografia”. A atividade usa o fenômeno natural da fototaxia (na biologia, é a mudança de orientação de organismos de vida livre ou células determinada pelo estímulo da luz) como metáfora para uma prática artística. No sábado, às 14h, Miguel Chikaoka e a curadora Camila Fialho participam de bate-papo com o público, no qual saber mais sobre o percurso histórico da Fotoativa ao longo dos anos, um pouco sobre a reverberação de suas ações e diferentes formas de atuação em um movimento plural. A atividade é gratuita e demanda retirada de ingressos com 1h de antecedência na Central de Atendimento.

Serviço

“Atravessamentos: Fotoativa ontem e hoje”
Até 1º de fevereiro de 2019 no espaço de exposições do Sesc (rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade)
De terça a sexta-feira, das 9h às 19h30. Sábados das 10h às 19h30. Domingos e feriados das 10h às 18h30
Entrada gratuita

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