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Cultura

11º CineFest Votorantim premia melhores curtas neste sábado

Festival teve o recorde de 728 inscritos e chega ao fim tendo cumprido papel de resistência cultural
11º CineFest Votorantim premia hoje os melhores curtas da edição
O Prêmio Capivara será entregue para os vencedores das mostras competitivas nas categorias de melhor filme, diretor, ator, atriz, roteiro original, fotografia, montagem e trilha sonora. Crédito da foto: Reprodução Facebook

Após 15 dias de extensa programação, ocorre neste sábado (30), às 19h, no Auditório Municipal Francisco Beranger, a cerimônia de premiação do 11º CineFest — Festival de Cinema de Votorantim. Serão entregues o Prêmio Capivara para os vencedores das mostras competitivas em categorias diversas, como melhor filme, diretor, ator, atriz, roteiro original, fotografia, montagem e trilha sonora.

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Ao longo de toda a semana, o Beranger foi palco de exibições dos curtas selecionados nas mostras competitivas à noite, seguidas de shows musicais gratuitos no estacionamento e de rodas de conversa com os realizadores, pela manhã. A apresentação musical que marca o encerramento do festival, hoje à noite, ficará por conta da banda de folk alternativo Monoclub.

Durante o evento, foram exibidos 67 concorrentes das mostras competitivas (Mostra Nacional, Mostra Regional, Mostra Musical, Mostra Ambiental e Mostra Inclusiva). Outros dez foram exibidos na semana anterior, em uma mostra paralela que itinerou por cinco bairros da cidade.

Hoje à noite, antes do aguardado anúncio dos filmes premiados, haverá a estreia do curta “A balada dos anjos e dos demônios”, fruto de uma oficina de cinema realizada no Sesc Sorocaba, em outubro, ministrada por Marcelo Domingues e Leôncio Branco, como parte da programação do CineFest.

A produção apresenta elementos do suspense e do fantástico para construir uma alegoria sobre a chegada do futuro no mundo e que teve locações nas cidades de Sorocaba, Votorantim e Tatuí. O elenco conta com Rivaldo Nogueira, Merlin Kern e Nanaia de Simas.

Resistência

Em todas as noites, o festival tem como mestre de cerimônia a atriz Mariana Rossi, interagindo no meio do público com bom humor, leveza e sempre com uma surpresa. “Cada um de vocês compõe essa história de insistência e resistência”, afirmou, na noite de quarta-feira, ao convidar os realizadores a subir ao palco para fazer uma breve fala de seus filmes.

Resistência, aliás, foi palavra recorrente que deu o tom do festival, que nesta edição marcou o número recorde de produções inscritas: foram 728 de todas as regiões do País. “Esse ano, a tônica das produções selecionadas e dos debates é a resistência. O pessoal está com um discurso mais engajado politicamente”, comenta a jornalista especializada em cinema Clarissa Kushnir, que compõe o júri.

Para grande parte dos realizadores, a resistência cultural reside na disposição em produzir — e exibir — filmes em um momento em que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) tem sofrido uma série de medidas do governo federal que paralisam centenas de produções.

Sentimento, aliás, compartilhado pelos próprios organizadores do festival. “Apesar das dificuldades encontradas para a sua realização, diante do atual cenário político e econômico que o nosso País atravessa, todos os esforços foram recompensados e chegamos até aqui graças a parceiros e incentivadores”, afirma o curador Marcelo Domingues, no texto do catálogo do festival.

11º CineFest Votorantim premia hoje os melhores curtas da edição
Além das exibições, o Auditório Municipal Francisco Beranger recebeu rodas de debates, pela manhã, com realizadores dos curtas concorrentes. Crédito da foto: Reprodução Facebook

Além de vitrine que dá visibilidade à produção cinematográfica independente, o festival se traduz em um espaço de intercâmbio entre os realizadores. Diretor do curta “Imagens de um sonho”, documentário que conta a história de trabalhadores do setor petrolífero em São Vicente, o jornalista Leandro Olímpio, destaca que um dos pontos mais importantes do CineFest é o encontro que ocorre com realizadores de curtas de outras regiões.

“Esse debate é muito importante. Ter esse feedback de como eles estão enxergando a obra, que me ajuda a entender o meu próprio filme, me permite crescer”, comenta.

Diretor do documentário “Declaração de nascido vivo”, que acompanha todo o trabalho de parto da sua esposa, o paulistano Rodrigo Marque afirma que as mesas redondas entre realizadores também ajudam a criar e consolidar uma rede de profissionais do audiovisual.

“Além de aprender muito com os outros filmes, e com a experiência dos outros realizadores, já fiz muitos trabalhos em parceria que nasceram desses encontros”, complementa.

Economia na tela

Além de produtores e aficionados por filme, o CineFest também ajuda a aquecer a economia de Votorantim, já que o festival mobiliza toda uma rede de serviços locais, como empresas de locação de equipamentos de projeção, som e luz e de tendas, gráfica, supermercado, além de hotéis e restaurantes, entre outros. Segundo estimativa dos organizadores, o festival deste ano movimentou aproximadamente R$ 173,5 mil.

A face econômica da produção de um filme, aliás, será tema de um fórum “Como monetizar seu curta” que será realizado neste sábado (30), das 14h às 16h, no Auditório Municipal Francisco Beranger, com entrada gratuita.

Para compor a mesa, o CineFest traz três profissionais do mercado: a distribuidora Denise Jancar, da Promovere, o realizador, pesquisador e professor em cinema, Joel Yamaji, e Cao Quintas, sócio e produtor da Latina Estúdio. A mediação será de Marcelo Domingues, curador e idealizador do CineFest.

O 11º CineFest é realizado pela Totem Cultural e Governo do Estado de São Paulo, por meio do ProAC ICMS, com patrocínio do Instituto Votorantim e Votorantim Energia, e conta com o apoio institucional do Sesc Sorocaba e da Prefeitura de Votorantim e apoio da Bamberg.

O Auditório Municipal Francisco Beranger fica na rua avenida Vereador Newton Vieira Soares, 291, Centro. (Felipe Shikama)

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