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O tratamento ortopédico da artrose

Artigo escrito por Dr. Tulio Pereira Cardoso, doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Fundador do Grupo de Estudos do Joelho de Sorocaba e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho

Dr. Tulio Pereira Cardoso

Artrose é o desgaste de uma articulação comprometendo cartilagem, membrana sinovial e ossos. Pode ter várias causas, desde o desgaste natural causado pelo envelhecimento, doenças inflamatórias como artrite reumatoide, necroses ósseas, infecções articulares e sequela de fraturas. Existem inúmeras formas de tratamento, algumas visando apenas o alívio da dor e a melhora dos movimentos, enquanto outras tratam a causa da doença.

Temos várias modalidades de fisioterapia, acupuntura, medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e exercícios físicos de baixo impacto. Uma enorme variedade de suplementos de diferentes origens e ações estão sendo cada vez mais usados. A ação mais provável destes suplementos é diminuir a degradação articular. A regeneração de cartilagem é cientificamente questionável. Glicosamina, condroitina, cúrcuma, extratos insaponificados de soja e abacate, entre outros, são tidos como condroprotetores, ou seja protegem a cartilagem que ainda existe mas não conseguem “formar nova cartilagem”. Colágenos têm sido usados com algum sucesso na diminuição da degradação articular.

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Já os derivados de ácido hialurônico, elemento normalmente presente no liquido lubrificante das nossas articulações, podem ser infiltrados diretamente nas articulações ou ingeridos oralmente e têm algum papel na melhora dos sintomas. Alguns medicamentos moduladores do processo inflamatório têm ação não só contra a dor, mas contra a própria causa da doença, e são a chave do tratamento preconizado pelos reumatologistas. São imunoterápicos que alteram o curso da doença reumática inflamatória.

Quando a articulação já foi anatomicamente comprometida, apresentando deformidades angulares e marcada limitação dos movimentos, como por exemplo caminhar, temos as alternativas do tratamento ortopédico. Uma toilete articular realizada com o uso da artroscopia, cirurgia menos invasiva, pode auxiliar temporariamente na diminuição da dor, mas não trata definitivamente a artrose e, por isso, sua indicação é questionável. Transplantes de segmentos de cartilagem e osso, tanto do próprio paciente como de banco de ossos, têm indicação em lesões pequenas e sem deformidade.

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Osteotomias, cirurgias que mudam o ponto de descarregamento de peso, alterando a angulação dos membros, são feitas com cortes ósseos e fixação com placas e parafusos, mas têm limitada indicação, considerando idade, localização e grau do desgaste. Finalmente, temos as artroplastias, que são cirurgias de substituição da articulação degenerada. Consistem na ressecção da cartilagem e parte óssea desgastada, com o implante de uma prótese composta por diferentes ligas metálicas e de polietileno. Atualmente existem inúmeros modelos e materiais e cada vez mais novas técnicas oferecem o uso de computação, navegação, robotização.

Parece que a tecnologia quer eliminar o cirurgião. Já estão tentando eliminar os motoristas de automóveis e aviões, porque não os cirurgiões? Isso me lembra a opinião do dr. Chitranjan S. Ranawat, renomado ortopedista indiano, radicado há anos nos Estados Unidos, onde é professor na conceituada faculdade Weill Cornell Medical College de New York. Como participou dos projetos de muitas das próteses de joelho e quadril, foi perguntado sobre qual a melhor. Sua resposta era esperada como uma solução para nossas dúvidas sobre escolha, ou seja, aquela por ele apontada seria a melhor prótese.

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E assim respondeu: “Você pode ir para o seu trabalho dirigindo um carro de marca não muito conceituada, ou pode ir digamos, numa Ferrari. Ambos devem cumprir o objetivo de levá-lo ao seu destino. Existem diferenças? Sim, mas o mais importante é o motorista.”

Tulio Pereira Cardoso (tuliopcardoso@gmail.com) é doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Fundador do Grupo de Estudos do Joelho de Sorocaba e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho

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