Pediatria

Congelamento de alimentos e uso de micro-ondas são abordados por pediatras

O texto foi produzido pelo Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria
A prática repetida de congelamento e descongelamento de alimentos é contraindicada. Crédito da foto: Pxhere

O Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou na segunda-feira (22) o documento científico “Micro-ondas e congelamento: existem desvantagens para as vitaminas e minerais?”. O texto orienta os pediatras no aconselhamento dos pais que buscam um norte sobre os perigos do uso desses aparelhos e técnicas no manuseio das refeições de seus filhos.

Segundo o documento, a prática repetida de congelamento e descongelamento de alimentos é contraindicada por favorecer acentuadamente o desenvolvimento de micro-organismos deteriorantes. Como se sabe, os tecidos do alimento descongelado já não são mais vivos e, destituídos de defesa, tornam-se alvos fáceis para os ataques de agentes patogênicos, sendo a decomposição orgânica muito mais rápida.

Os produtos alimentícios devem passar por uma só fase de congelação e descongelação

Portanto, os produtos alimentícios devem passar por uma só fase de congelação e descongelação e depois desta última, ser ingeridos no mais curto espaço de tempo. No quadro abaixo (tabela 1) são apontadas as vantagens e desvantagens do processo de congelação e uso de micro-ondas.

Descongelamento

O texto destaca, por exemplo, que o aquecimento rápido proporcionado pelo forno de micro-ondas é um dos processos menos danosos aos nutrientes. Isso porque quanto mais tempo se leva para cozinhar os alimentos, maior a chance de se “quebrar” ou desnaturar ou desestabilizar os nutrientes. Também o fato de não precisar de água para o cozimento dos alimentos, faz com que as vitaminas hidrossolúveis sejam preservadas.

Entre as principais recomendações para os pediatras, está evitar o uso de produtos plásticos para utilização em micro-ondas, devido especialmente à liberação de percloratos, ftalatos e possivelmente de bisfenol A (que é mais frequentemente usado em latas). Sugere-se a troca de recipientes plásticos por de vidro.

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“Baseados nas evidências apresentadas por trabalhos de revisão sistemática, o uso de plásticos em micro-ondas deve ser evitado quando possível, principalmente para uso em produtos infantis (incluindo fórmulas lácteas e leites) ”, destacam os especialistas.

Discussão

O processo de congelamento e a utilização do micro-ondas levam a perdas nutricionais que, felizmente, não são muito significativas se levarmos em consideração o seu custo-benefício. Nos últimos anos, tem-se reforçado a importância da ingestão de alimentos in natura ou minimamente processados, conforme preconizado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014.

Os especialistas da SBP ressaltam que, em relação ao congelamento, sabe-se que condições ideais de manuseio e descongelamento contribuem para o sucesso dessa técnica sem muitas perdas nutricionais. “Assim, o congelamento alcança seu objetivo de conservar alimentos aumentando seu tempo de vida útil e oferecendo às crianças produtos alimentícios dotados de qualidades nutritivas e sensoriais características, desprovidas de contaminação microbiológica”, finaliza o documento.

O documento científico foi produzido pelos drs. Virgínia Resende Silva Weffort (presidente); Hélcio de Sousa Maranhão; Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida; Jocemara Gurmini; Junaura Rocha Barretto, Mauro Fisberg, Mônica de Araújo Moretzsohn; Rafaela Cristina Ricco e Valmin Ramos da Silva. Colaboraram as dras. Adriana Trejger Kachani e Georgia Alvares Castro. (Sociedade Brasileira de Pediatria)

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