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Método à base de clorofila protege o rim em tratamentos oncológicos

Método à base de clorofila protege o rim em tratamentos oncológicos
Reação trombótica mata o tumor por falta de oxigenação. Crédito da foto: Divulgação

Uma perspectiva de tratamento inovadora, que preserva o rim, pode ser nova aliada no combate ao tumor urotelial do trato superior, que se localiza no revestimento interno do rim, ureter ou bexiga.

Estudo em fase 1 mostrou evidências promissoras da terapia fotodinâmica, com alvo vascular com agente fotossensibilizador, para eliminar o tumor com uma ou, no máximo, duas sessões. A informação é do urologista Lucas Nogueira, um dos responsáveis pela pesquisa feita pelo Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (MSKCC), em Nova York, onde é pesquisador visitante.

A terapia usa uma substância derivada da clorofila, chamada de padeliporfina, que na presença de luz de diodo com comprimento de onda de 753 nanômetros (nm) no local, provoca uma reação trombótica matando o tumor por falta de oxigenação, além de estimular o sistema imunológico contra o câncer. “É como se ocorresse um infarto naquela região. O tumor necrosa e desaparece em um período de até 30 dias”, explica o médico.

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O procedimento minimamente invasivo, que pode ser realizado com sedação profunda em ambiente de penumbra, dura cerca de 20 minutos e o paciente vai para casa com a recomendação de não se expor ao sol e se hidratar. “A substância injetada na corrente sanguínea é fotossensível, com atividade entre 30 minutos e uma hora. Mas recomendamos não se expor ao sol por 24 horas. A hidratação serve para eliminação mais rápida da substância pela urina”, afirmou Nogueira.

Resultado positivo

De acordo com o pesquisador, os dados do estudo fase 1, feito em 16 pacientes do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, mostram que em 64% dos casos o tumor não foi detectado após 30 dias e em 29%, foi preciso fazer uma segunda sessão. Dos que fizeram a segunda sessão, 67% tiveram a remissão completa do tumor. Após 11,5 meses de seguimento, 93% dos pacientes mantiveram o rim que tinha sido afetado pelo câncer, e a função renal não foi significativamente afetada.

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“Esse resultado é uma esperança muito grande para esse paciente que hoje se vê sem alternativa eficaz para manutenção do rim, visto que muitos deles vão precisar de quimioterapia e, para isso, necessitam de função renal adequada”, afirmou Lucas Nogueira.

Segundo o médico, além de não ser necessário retirar o rim para evitar a progressão da doença, outro benefício do tratamento é manter baixa toxicidade localizada, ao contrário do tratamento endoscópico a laser, que tem alta reincidência do tumor e toxicidade local maior. A contraindicação é para pacientes com distúrbios de coagulação ou que fazem uso de anticoagulante.

Conforme o pesquisador, o resultado promissor levou a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, a autorizar a realização de estudo fase 3, sem a necessidade de fazer a fase 2. A nova fase do estudo começa em abril com 100 pacientes, vai envolver cerca de 20 centros localizados nos Estados Unidos, na Europa e em Israel e deve durar cerca de dois anos. (Agência Brasil)

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