Neurologia

Tratamentos auxiliam pacientes de Parkinson

Os primeiros sinais da doença são a anosmia (falta de cheiro), depressão e distúrbio do sono
Tratamentos auxiliam pacientes de Parkinson
Neurologista Luiz Carlos Beda diz que cada caso deve ser avaliado individualmente. Crédito da foto: Emidio Marques

Apesar de ser uma doença neurodegenerativa sem cura, o paciente de Parkinson pode sim ter qualidade de vida. A afirmação é do médico neurologista e neurocirurgião Luiz Carlos Beda, que atua no Hospital Unimed, Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, e na rede municipal de saúde. De acordo com ele, a doença — que é lembrada em 11 de abril no Dia Internacional de Parkinson — conta com medicamentos eficazes, e tem ainda, considerado como um “tratamento top”, a Estimulação Cerebral Profunda (ECP).

O dado porém, não tão positivo, é que a indicação do referido tratamento é muito reservada no sentido de que a grande maioria dos pacientes apresenta contraindicação, podendo apenas cerca de 10% a 15% deles serem submetidos.

 

Conforme explica o especialista, a ECP consiste na introdução, por meio cirúrgico, de um estimulador na região da dopamina, cuja substância, em situação de diminuição de produção ou de falha na sua captação, é que causa a doença de Parkinson.

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Segundo Luiz Carlos Beda, essa terapia é indicada para os pacientes cuja medicação está sendo pouco eficaz, mesmo quando se aumentam as doses, e apresentam complicações como a discinesia ( movimentos musculares involuntários tardios). Entretanto, é preciso considerar vários fatores clínicos do paciente para poder indicar a Estimulação Cerebral Profunda.

As contraindicações mais comuns são depressão, demência, e sintomas psicóticos. E por isso, para ser submetido à cirurgia, o paciente é avaliado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo a parte psicológica e psiquiátrica. Ele frisa também que mesmo com a cirurgia, a maioria dos pacientes mantém o uso das medicações antiparkinsonianas, apresentando dores consideravelmente diminuídas.

O médico destaca ainda que podem surgir complicações no pós-cirúrgico, implicando até mesmo na retirada do estimulador. Algumas dessas complicações são AVC hemorrágico, infeccção na região da ferida cirúrgica, alteração psiquiátrica, meningite e alteração cognitiva.

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Mesmo sem se saber ainda o que provoca a diminuição da dopamina, a doença de Parkinson conta hoje também com medicações muito eficazes e, de acordo com Luiz Carlos Beda, o tratamento futuro, com base nos estudos de genoma e genética, será muito promissor. Ele também tranquiliza os pacientes, afirmando ser possível ter qualidade de vida.

Sintomas

Mas como suspeitar de que está acometido da doença de Parkinson e buscar acompanhamento médico? O neurocirurgião enfatiza que os primeiros sinais que podem anteceder a doença de Parkinson são a anosmia (falta de cheiro), depressão, distúrbio do sono, constipação intestinal, e tremor essencial. Mas, os quatro sinais clássicos são o tremor de repouso, rigidez muscular, acinesia ou bradicinesia (movimentos lentos, tipo robotizado), e disfunção de equilíbrio e/ou postura.

Luiz Carlos Beda cita que a doença, que abrange 1% da população mundial acima dos 65 anos de idade, pode ser diagnosticada também por causas secundárias, como uso de medicamentos antipsicóticos, contato ou ingestão de manganês, traumatismo craniano, e AVC, entre as mais comuns. O médico afirma, no entanto, que pessoas mais jovens também podem ter a doença. (Adriane Mendes)

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