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Infectologia

Pacientes diagnosticados com HIV correm maior risco de desenvolver a tuberculose

O enfraquecimento do sistema imunológico deixa a pessoa mais suscetível às doenças oportunistas
Ministério da Saúde recomenda que seja feita investigação para tuberculose em todos que vivem com HIV. Crédito da foto: Getty Images

Como um ciclo, pacientes que possuem frequentes Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como a sífilis, têm maior probabilidade de aquisição de HIV pelo não uso de preservativos e imunidade mais baixa. Já quem é diagnosticado com HIV tem 28 vezes mais chances de contrair tuberculose (TB) do que uma pessoa que não tem. Em Sorocaba, segundo a Secretaria de Saúde (SES), dos 40 casos de tuberculose registrado de janeiro até início de abril, 18 eram em pessoas que vivem com HIV. Já a sífilis acometeu, nos primeiros 100 dias de 2019, 591 pessoas na cidade.

O risco de aquisição de HIV, conta Helena Solla, coordenadora do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Sorocaba, ocorre também por conta das feridas causadas pela sífilis, que facilitam a entrada do vírus durante relações sexuais sem proteção. O infectologista Fernando Ruiz também destaca que qualquer lesão em região genital possibilita maior chance de transmissão de outros agentes de ISTs. “Essa propensão é maior não só para HIV, mas também para HPV, gonorréia, herpes, entre outros”, destaca.

Ainda segundo dados do CTA, em 2018 foram confirmados 174 novos casos de HIV na cidade e neste ano já são mais 43 pessoas diagnosticadas com o vírus. A SES informou que no ano passado foram contabilizados “52 óbitos por causa base a Aids”, que enfraquece o sistema imunológico e deixa o paciente mais suscetível às chamadas doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. A tuberculose é uma dessas doenças, que no ano passado acometeu 189 pessoas, causando 18 mortes.

A tuberculose, explica Ruiz, é comum em pessoas que vivem com HIV por conta da imunidade mais baixa. A coinfecção, segundo o infectologista, é infelizmente bastante frequente em todo o mundo, concorrendo com as outras situações que elevam a ocorrência de tuberculose, como pessoas em situação de rua e pessoas inseridas no sistema prisional. A também infectologista Naihma Salum Fontana conta que é obrigatória a investigação da tuberculose latente ou clínica no portador de HIV, e a testagem do HIV no paciente com tuberculose.

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O infectologista Fernando Ruiz diz que a sífilis também aumenta risco de HIV. Crédito da foto: Emídio Marques (05/12/2013)

Naihma explica que a mesma pessoa pode ter, de forma simultânea, HIV, tuberculose e sífilis. “O tratamento também é feito simultaneamente, com adequação do esquema antirretroviral quando feito o diagnóstico da tuberculose”, conta a médica. Ruiz destaca que a tuberculose é tratada com quatro substâncias contidas em um comprimido, que deve ser tomado por tempo prolongado. “O tratamento varia de seis a doze meses, dependendo de cada caso, até que se observe a resolução do processo infeccioso, com cura clínica e microbiológica.” O grande problema, aponta o médico, é a duração prolongada do tratamento, que tem alta taxa de abandono.

No caso da sífilis, destaca Naihma, com diagnóstico precoce dessa doença bacteriana é facilmente tratável. Caso o tratamento não seja feito, ela pode evoluir para formas mais graves, como a sífilis terciária, acometendo o sistema nervoso central e causando a meningite sifilítica. Ruiz explica que o tratamento para sífilis é realizado com penicilina em período que varia de uma a três semanas. O médico também chama atenção para o fato de que a mesma pessoa pode adquirir a bactéria várias vezes. “Uma nova infecção, por contato com a bactéria, leva a uma nova doença, pois não há imunidade permanente para o agente”, fala.

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Brasil

No Brasil, a proporção da coinfecção por tuberculose e HIV é de 9,4%, ou seja, dos aproximadamente 67 mil novos casos da doença registrados por ano, 6,5 mil também apresentaram resultado positivo para o HIV.

A coinfecção chamada de TB-HIV é a principal causa de morte em pacientes com Aids, segundo o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde. Em 2017, de acordo com o órgão federal, 22% das pessoas diagnosticadas com a coinfecção foram a óbito. A recomendação do Ministério da Saúde é para que “em todas as oportunidades de atendimento às pessoas vivendo com HIV, seja feita a investigação para tuberculose”. (Larissa Pessoa)  

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