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Campanha alerta sobre hepatites virais

Campanha alerta sobre hepatites virais
As hepatites atingem o fígado, podem se agravar e provocar surgimento de câncer. Crédito da foto: crfsp.org.br

A campanha Julho Amarelo está orientando sobre as formas de prevenção e combate às hepatites virais. Com diferentes tipos e sintomas, essas doenças atingem o fígado, e devido à gravidade, podem levar ao câncer de fígado, por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu em 2010 o dia 28 de julho como o Dia Mundial de Combate à Hepatite. A campanha é realizada desde 2015, iniciativa do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais e da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 1999 e 2018 existiram 632.814 casos confirmados de hepatites virais no Brasil. Entre 2000 e 2017 foram registradas mais de 70 mil mortes devido às doenças, e 76% delas ligadas à hepatite C.

Renata Cruvinel, hepatologista da Clínica Gastro ABC, explica que existem três tipos principais de hepatite viral, que recebem esse nome pois são causadas por vírus. “Cada um possui diferentes sintomas, formas de transmissão e de tratamento”, explica.

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Todos os tipos atacam o fígado, que tem a função de filtrar. “Tudo que ingerimos ou comemos passa pelo fígado. Ele faz uma metabolização, segurando as impurezas. Mas uma hora ele pode ficar sobrecarregado, com a emissão de alertas, em especial a variação de quantidade de enzimas hepáticas”, explica Renata. Além das hepatites, o consumo de álcool e alimentos gordurosos também afeta o órgão.

Principais tipos

A hepatite A possui transmissão via oral ou por contato com alimentos, objetos ou fezes contaminados. Seus principais sintomas são dor, desconforto abdominal, enjoo e icterícia, condição na qual a pele fica amarelada. Ela possui vacina de prevenção e o tratamento recomendado é apenas realizar repouso e evitar contato com pessoas.

A hepatite B também possui vacina, aplicada em três doses. Sua transmissão é por via sexual ou vertical (passagem da mãe para o feto durante a gravidez), e geralmente é assintomática, sendo identificada por exames que monitoram a quantidade de enzimas do fígado. A principal forma de prevenção é o uso da camisinha, mas a doença tem tratamento.

Por fim, o terceiro tipo principal é a hepatite C. A transmissão do vírus causador é por contato com sangue ou material contaminado, e também é assintomática. “É uma doença silenciosa. O vírus fica anos no organismo e quando se manifesta gera um quadro de cirrose, quando o fígado começa a reduzir sua atividade”, detalha a médica.

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Antigamente o tratamento era feito com aplicação de injeções semanais, mas os avanços na medicina deram origem a um novo medicamento, com ingestão oral durante três meses, que tem taxa de sucesso de mais de 95%. O tratamento é importante pois, sem ele, a doença pode levar ao câncer de fígado.

Renata destaca que é importante que quem recebeu transfusões de sangue, fez cirurgias ou tatuagens antes de 1996 realize o teste para hepatite C, pois foi apenas a partir desse ano que foram implementadas medidas de identificação do vírus para evitar transmissão de material contaminado. Outras formas de prevenção envolvem não compartilhar materiais injetáveis, lâminas de barbear, alicates de unha ou escovas de dente. (João Pedro Malar – Estadão Conteúdo)

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