Polícia prende 135 pessoas na França após manifestações

Atos acontecem uma semana após passeatas contra o alto custo de vida, que reuniram mais de 500 mil pessoas

Por Da Redação

Protestos França 2026

A polícia francesa prendeu ao menos 135 pessoas e apreendeu diversas armas ao longo deste sábado (24), durante as manifestações que acontecem em várias cidades da França. Mais cedo, o governo anunciou um esquema de segurança reforçado, com 70 mil policiais e agentes especiais mobilizados para conter possíveis episódios de violência, saques e depredações.

Entre as armas confiscadas estavam bolas de metal, chumbinhos, fogos de artifício, estilingues, balas de aço, armas improvisadas, uma katana e armas de airsoft, disse o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Segundo ele, até o momento, “não houve nenhum incidente grave”.

As novas manifestações acontecem em várias cidades da França, após mais de um mês de protestos no país. “Seremos intransigentes”, afirmou Nuñez no início do sábado, ao anunciar o esquema de segurança, que conta com unidades de elite da polícia e soldados da missão de vigilância Sentinelle, além de veículos blindados, helicópteros e drones.

Em Lyon, por exemplo, a prefeitura proibiu atos em áreas centrais entre as 10h e as 23h (no horário local). Os atos deste sábado acontecem uma semana após manifestações contra o alto custo de vida reunirem mais de 500 mil pessoas. Na semana passada, os protestos foram acompanhados por repressão policial e danos a estabelecimentos comerciais. Cerca de 1.800 pessoas foram presas.

Na quinta-feira (22), o presidente da França, Emmanuel Macron, recomendou que a população não participasse das próximas manifestações e afirmou que apenas atos organizados por “atores legítimos”, como os sindicatos, seriam autorizados.

Em Paris, Marselha e Lyon, as marchas foram autorizadas, embora a polícia tenha alterado o trajeto de última hora. Os organizadores da manifestação em Paris informaram à AFP que aceitaram o trajeto imposto pela Prefeitura após a Justiça rejeitar o recurso apresentado contra o percurso.

“Assumimos nossas responsabilidades, não queremos colocar os manifestantes em risco”, afirmou Badiaa Souidi, secretária-geral da CFDT na região da Île-de-France, à AFP. Também há um protesto sindical previsto para acontecer em Marselha. As cidades de Estrasburgo e Mulhouse devem receber atos em áreas próximas do centro histórico.

Já em Lyon, foram proibidos atos em áreas centrais entre as 10h e as 23h. A Prefeitura tomou a medida após contabilizar que mais de 150 lojas foram depredadas e algumas foram saqueadas na cidade. Um mapa publicado pelo movimento dos coletes amarelos prevê cerca de 500 manifestações e ações em 86 rotatórias, 21 postos de combustível, dois depósitos de petróleo, 33 estações ferroviárias, três portos, 17 pontes e 17 praças de pedágio.

Atos espalhados

A expectativa desses novos protestos fez muitos comerciantes protegerem as vitrines de seus estabelecimentos com tábuas de madeira. Segundo informações da AFP, alguns pretendem não abrir as lojas, enquanto outros dizem que defenderão pessoalmente seus negócios contra possíveis saques. Dados oficiais apontam que quase 3 mil estabelecimentos comerciais foram afetados no sábado.

O presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, Alain Di Crescenzo, pediu aos comerciantes que fechem seus negócios e deixem a polícia agir. “Vi, nas ruas, tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça”, afirma.

Os museus do Louvre, de Orsay e Picasso, assim como a Ópera de Paris, fecharam excepcionalmente. A feira internacional de arte contemporânea Art Basel cancelou a abertura prevista para o final de semana. E a partida entre Paris Saint-Germain e Lyon, do campeonato francês, foi remarcada segunda, 26.

Em Orleans, as manifestações se voltam contra o contra o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), que realiza neste fim de semana seu congresso político. A estimativa é que um público de 20 mil a 30 mil pessoas de diferentes regiões da França participem de atos contrários ao partido. (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo e AFP).