França decreta toque de recolher
Medida é tomada em quatro cidades após protestos violentos no fim de semana
Os moradores de quatro cidades do norte da França não poderão circular pelas ruas na noite de hoje (20) devido a toques de recolher decretados para pôr fim aos confrontos e saques.
Lille, Douai, Wattignies e Denain são as primeiras quatro cidades onde foi anunciada a aplicação de um toque de recolher entre as 20h e as 6h, segundo o gabinete do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu.
O governo está sob pressão para pôr fim aos confrontos e saques registrados desde o fim de semana, após um grande protesto convocado no sábado (17) contra o alto custo de vida.
As cenas de caos nas principais cidades da França, como as centenas de lojas saqueadas e o incêndio da prefeitura de Limoges, repercutiram em todo o mundo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu ontem (19) falhas na gestão policial dos distúrbios e pediu "novos modos operacionais" para "acabar com os fenômenos de barricadas e saques".
Após uma reunião de crise, seu primeiro-ministro descartou, por enquanto, decretar estado de emergência, embora tenha admitido essa possibilidade "se necessário", e defendeu "toques de recolher parciais".
Em Denain, a medida será aplicada em determinadas áreas do centro da cidade e apenas a menores de 18 anos desacompanhados.
Informação de qualidade, na palma da sua mão.
Siga o canal do Jornal Cruzeiro do Sul no WhatsApp.
Bélgica e Itália
Cidades da Bélgica e da Itália também registraram, no fim de semana, protestos contra o encarecimento do custo de vida, que terminaram em confrontos entre a polícia e manifestantes, além de saques. Esses atos de violência "são inaceitáveis", ressaltou o porta-voz da Comissão Europeia, Markus Lammert, que pediu à França que "proteja" o direito de manifestação pacífica.
A seis meses da eleição presidencial, na qual Macron não poderá ser candidato, as cenas do fim de semana deixaram o governo contra a parede, acusado de não ter antecipado o risco de distúrbios, nem de responder às reivindicações dos manifestantes.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu uma perda de controle da polícia em "algumas cidades" durante os protestos, que resultaram em mais de 2.500 detenções e quase mil agentes feridos.
Como prova de que a situação continua tensa, manifestantes bloquearam ontem o acesso ao Museu do Louvre. (AFP)