Canadá responde com tarifas aos Estados Unidos
Negociações entre os países vizinhos fracassaram na sexta-feira
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou ontem (22) medidas de retaliação contra o aço e laticínios dos Estados Unidos, depois de rejeitar o que chamou de "acordo comercial ruim" proposto pelo governo norte-americano.
As medidas, que também afetarão a indústria de papel, equipamentos agrícolas e setor de eletrônicos, entrarão em vigor em 8 de setembro, afirmou o chefe de governo durante uma entrevista coletiva.
As negociações entre os países vizinhos fracassaram na sexta-feira (21) em Washington, o que motivou a entrada em vigor de novas tarifas americanas de 50% sobre vários produtos avaliados em quase US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), o que representa 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos. Os produtos afetados vão de tacos de hóquei a cimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a afirmar que Washington "deveria conseguir chegar a um acordo com o Canadá", ao mencionar sua "boa relação" com Carney.
Ontem, no entanto, o primeiro-ministro canadense afirmou que Trump tentou impor condições inaceitáveis. "No início da semana, acreditávamos que estávamos avançando para um acordo mutuamente benéfico, mas nos últimos dias os Estados Unidos propuseram novos termos que eram antieconômicos, injustos e minavam os benefícios líquidos para o Canadá, além de colocar em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo. Em resumo, eles pediram muito e ofereceram pouco", disse ele.
"Não podemos aceitar o que eles ofereceram e não daremos o que eles pediram", disse Carney, antes de acusar Trump de declarar uma "guerra" comercial.
"Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", disse Carney.
Na sexta-feira, o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou que Washington havia oferecido "reduções tarifárias significativas em aço, alumínio, automóveis e madeira" em troca de concessões por parte do Canadá.
Ontem, em uma entrevista ao canal Fox News, Greer afirmou que os Estados Unidos estavam "avançando com medidas que respondem às represálias canadenses". Ele também destacou que não estava claro se as negociações comerciais poderiam ser retomadas em breve. (AFP)