Colômbia conta 240 mortos e apressa busca por desaparecidos
Socorristas e voluntários procuram desesperadamente por sobreviventes do pior terremoto deste século na Colômbia, que até ontem (11) contabilizava um saldo de 240 mortos, mais de 1.300 feridos e dezenas de edificações destruídas.
As principais cidades do oeste da Colômbia — Cali, Pereira, Manizales e Quibdó — apresentam cenas de destruição mais de 24 horas depois do forte terremoto de magnitude 7,4 ocorrido na segunda-feira, às 7h34 (9h34 de Brasília).
"Estamos vendo o que será de nossas vidas. Não sabemos o que fazer", disse Gloria Giraldo, uma dona de casa de 38 anos, em um bairro com casas destruídas em Pereira.
Localizada no turístico Eixo Cafeeiro, a cidade teve pelo menos 72 mortos, segundo o prefeito. Pereira, com mais de 480 mil habitantes, ficou quase totalmente sem eletricidade. Seus moradores têm pouca conexão com a internet e ontem participavam das buscas por pessoas ou percorriam as ruas de motocicleta para verificar a dimensão do desastre. A noite foi silenciosa; muitos dormiram nas calçadas por medo de novos tremores ou porque suas casas tinham rachaduras.
"Ficamos sem nada, perdemos tudo", disse, em meio ao choro, Stella Galvis, uma contadora que conseguiu escapar com o marido e o filho de um edifício de quatro andares que desabou. "Fomos salvos por um milagre", acrescentou.
Os acontecimentos recentes evocam a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na região cafeeira.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu em 7 de agosto, decretou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Em uma visita nesta terça-feira a Pereira, ele anunciou a suspensão da cobrança de serviços públicos por três meses e programas para subsidiar os aluguéis daqueles que perderam suas casas.
Em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, o prefeito Alejandro Eder decretou toque de recolher durante a noite, enquanto os socorristas atendiam sem descanso os bairros mais afetados. A cidade registra 95 mortos, segundo a prefeitura local.
Foi "uma noite muito difícil, um pesadelo", declarou o prefeito ao canal Caracol.
Os socorristas formaram correntes humanas para retirar os escombros dos edifícios, usando picaretas e ferramentas básicas. De tempos em tempos, gritavam "silêncio" na tentativa de captar sinais de vida dos que estavam presos.
"Fim do mundo"
Parece "o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, todo mundo procurando seus entes queridos", disse Nelson Moreno, um voluntário.
Há relatos de pelo menos 239 pessoas presas entre os escombros em Cali. (AFP)