Número de mortos na Venezuela sobe para 1.430
Dimensão da catástrofe aumenta e país recebe ajuda de equipes estrangeiras
O número de mortos no devastador terremoto duplo na Venezuela subiu para 1.430, informou ontem (27) o líder parlamentar Jorge Rodríguez, um dos porta-vozes do governo sobre a tragédia.
Rodríguez, irmão da presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, também relatou 3.238 feridos.
O aeroporto internacional Simón Bolívar reabriu parcialmente ontem (27) e está recebendo voos de carga com ajuda.
Dezenas de pessoas vasculhavam ontem pilhas de roupas na grama do estádio José María Vargas, em La Guaira, o estado mais afetado pelos dois terremotos. Elas procuravam algo para vestir nesse abrigo improvisado que serve de lar para muitos que perderam tudo.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que aconteceram na quarta-feira (24) deixaram milhares de desaparecidos e um cenário de devastação no país.
"É como se Deus te desse a oportunidade de ter mais uma vida", disse Yosey Escalona no estádio.
Prédios reduzidos a escombros, ambulâncias que não paravam de ir e vir, motos que transportavam remédios e outros insumos de ajuda e a desesperada busca por pessoas e corpos presos sob o concreto compunham o terrível cenário em La Guaira.
Centenas de pessoas desabrigadas encontraram no estádio um espaço aberto, com estruturas firmes, para se refugiar das mais de 300 réplicas registradas desde que a terra tremeu violentamente às 18h04 da tarde de quarta-feira (19h04 no horário de Brasília).
Milhões
Milhões de pessoas podem ter sido afetadas, estimou a ONU. "Até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos devastadores que atingiram a Venezuela em 24 de junho", afirmou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU.
A organização acrescentou que as projeções são baseadas em análises populacionais e de danos e incluem até dois milhões de pessoas em Caracas, a capital.
Brasil
O governo brasileiro informou ontem que enviaria um terceiro voo humanitário à Venezuela com kits de medicamentos e módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha.
A operação integra o esforço internacional para reforçar o socorro às vítimas dos terremotos. Segundo o governo brasileiro, o conjunto de medicamentos é voltado para o atendimento em situações de emergência e contém itens essenciais como antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, dispositivos para infusão, seringas, luvas, esparadrapos e máscaras.
O primeiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária chegou à Venezuela às 23h40 de sexta-feira (26) à Base Militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay.
Um segundo voo levou um Hospital de Campanha da Marinha do Brasil.
A missão conta com 36 bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro integrantes da Defesa Civil e quatro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que leva equipamentos de monitoramento capazes de identificar sinais emitidos por dispositivos de telecomunicações, como aparelhos celulares, o que pode auxiliar na localização de possíveis sobreviventes em áreas atingidas. (AFP e Estadão Conteúdo)