Quarenta países pedem reabertura de Ormuz

Secretário da ONU alerta para guerra mais ampla e China diz que ataque ao irã viola direito internacional

Por Cruzeiro do Sul

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Cerca de 40 países pediram a “reabertura imediata e incondicional” do Estreito de Ormuz, ao final de uma reunião virtual organizada pelo Reino Unido, informou ontem (2) a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.

“O Irã está tentando tomar a economia mundial como refém no Estreito de Ormuz. Não devem prevalecer. Neste sentido, os parceiros pediram a reabertura imediata e incondicional do estreito”, declara Cooper em um comunicado após a reunião.

A ministra afirmou que os países concordaram em explorar “medidas econômicas e políticas, como sanções” contra o Irã.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediu ao Conselho de Segurança da ONU a dar luz verde ao uso da força para liberar o Estreito de Ormuz.

Um projeto de resolução apresentado divide o Conselho de Segurança. Segundo fontes diplomáticas, Rússia, China e França, que têm direito ao veto, expressou fortes objeções apesar de várias modificações no texto.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou ontem (2) que o conflito no Oriente Médio pode se transformar em uma guerra mais ampla e pediu o cessar imediato dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, assim como das agressões iranianas contra seus vizinhos.

“Estamos à beira de uma guerra mais ampla que envolveria o Oriente Médio, com impactos dramáticos em todo o mundo”, diz o secretário-geral à imprensa em Nova York.

China

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirma que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã constituem uma violação do direito internacional, informou a imprensa estatal chinesa. Wang também ressaltou que o Conselho de Segurança da ONU, do qual a China é membro permanente, “deveria evitar a escalada do conflito”!, destaca a emissora estatal CCTV.

Argentina

O governo da Argentina declarou “persona non grata” o conselheiro e encarregado de negócios interino do Irã, Mohsen Soltani Tehrani, e ordenou que ele abandone o país em um prazo de 48 horas, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

A medida é uma resposta a um comunicado do Ministério das Relações Exteriores iraniano com “acusações falsas, ofensivas e improcedentes” contra a Argentina e suas autoridades, explica o ministério um comunicado.

Há dois dias, a Argentina havia declarado a Guarda Revolucionária do Irã como “organização terrorista”, uma posição alinhada com os interesses dos Estados Unidos e de Israel, aos quais o presidente Javier Milei oferece seu total respaldo na guerra no Oriente Médio. (AFP)