Trump afirma negociar fim da guerra com alta liderança do governo iraniano

Presidente dos EUA disse que uma "mudança de regime " está em curso no país

Por Cruzeiro do Sul

Apesar do anúncio de Trump, Irã negou qualquer diálogo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem (23) que está negociando o fim da guerra com um líder iraniano, que não é o líder supremo Mojtaba Khamenei. O Ministério das Relações Exteriores de Teerã, no entanto, nega qualquer diálogo com o governo dos EUA.

O republicano surpreendeu a todos com uma mudança de tom no 24º dia da guerra no Oriente Médio.

Em sua rede Truth Social, ele adiou por “cinco dias” os ataques a usinas de energia ou infraestruturas energéticas com os quais havia ameaçado o Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até a noite de ontem (23).

Mais tarde, disse a repórteres que os Estados Unidos e o Irã encontraram “pontos de acordo importantes” durante as negociações conduzidas, segundo ele, com um alto funcionário iraniano.

“Estamos lidando com o homem que acredito ser o mais respeitado e o líder” do país, disse Trump. Não se trata do líder supremo Mojtaba Khamenei, que, segundo ele, está “indisponível”.

“Estamos negociando com pessoas que considero muito razoáveis, muito sólidas (...) Elas são muito respeitadas e talvez uma delas seja a que estamos procurando”, disse ele, sem revelar nomes.
Trump afirmou que uma “mudança de regime” está em curso no Irã, onde, segundo ele, busca uma relação semelhante à que estabeleceu com a nova liderança na Venezuela após a deposição do então presidente Nicolás Maduro.

Uma autoridade israelense disse à plataforma de notícias Axios que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, conversaram com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Mas ele negou categoricamente.

“Não houve negociações com os Estados Unidos, e notícias falsas estão sendo usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do impasse em que os Estados Unidos e Israel estão presos”, declarou na rede X.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que conversou com Trump e que ele acredita que os avanços militares conjuntos podem se traduzir em um acordo negociado que proteja os interesses de Israel, mas prometeu continuar os ataques no Irã e no Líbano. (AFP)