Mojtaba Khamenei é novo líder do Irã

País mantém ataques contra outros países e Trump disse que "não está feliz" com a escolha

Por Cruzeiro do Sul

Iranianos saíram às ruas de Teerã com retrato de Mojtaba

Eleito domingo (8) para assumir o comando do Irã e suceder ao seu pai na função de líder supremo, Mojtaba Khamenei é considerado uma das personalidades mais influentes do país. O clérigo, de 56 anos, não ocupou nenhum cargo oficial durante o mandato de seu pai, mas especulava-se que ele atuava nos bastidores do poder em Teerã.

Mojtaba Khamenei é considerado próximo aos conservadores, principalmente devido aos seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, que rapidamente jurou lealdade ao novo líder. Sua nomeação também recebeu apoio do presidente Masoud Pezeshkian, das forças armadas e do poder judiciário poucas horas após o anúncio oficial.

Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad (leste), Mojtaba Khamenei é um dos seis filhos do falecido líder supremo e o único com uma posição pública. O aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que liderava o país desde 1989, foi morto em 28 de fevereiro em um ataque israelense realizado no início de sua ofensiva conjunta com os Estados Unidos.

O presidente norte-americano Donald Trump declarou ontem (9) ao jornal New York Post que “não está feliz” com a nomeação de Mojtaba Khamenei para substituir o pai assassinado como líder supremo do Irã. “Não estou feliz com ele”, disse Trump ao jornal em seu clube de golfe Doral, perto de Miami, quando foi questionado sobre seus planos em relação ao novo aiatolá supremo.

No primeiro dia no poder de Mojtaba Khamenei, o Irã manteve seus ataques diários com mísseis e drones contra Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Israel. Também lançou um míssil contra a Turquia, membro da Otan, no segundo incidente desse tipo em cinco dias, mas as defesas aéreas o interceptaram antes que atingisse seu alvo.

Os ataques contra infraestruturas energéticas, o bloqueio em vigor no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, e o temor pela estabilidade regional provocam nervosismo nos mercados financeiros de todo o mundo.

A “fase intensa” da guerra no Oriente Médio poderá prolongar-se “por vários dias, talvez várias semanas”, estimou o presidente francês Emmanuel Macron, que não acredita que o regime iraniano possa ser alterado “apenas por meio de bombardeios”.

No front libanês, Israel anunciou ontem ter matado o chefe de uma das três unidades do Hezbollah no sul do Líbano, durante sua ofensiva iniciada em 2 de março contra o movimento islamista que é apoiado pelo Irã. (Da Redação, com informações da AFP)