Trump envia tropas a cidades governadas por democratas
Presidente instruiu militares a lidar com "terroristas domésticos" em Portland
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o envio de tropas para a cidade de Portland, que é governada pelo prefeito democrata Keith Wilson, no Estado de Oregon, “autorizando o uso de força total, se necessário”, para lidar com “terroristas domésticos”. Ele instruiu o Departamento de Guerra a “fornecer todas as tropas necessárias para proteger Portland, devastada pela guerra”, mas a Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de detalhes sobre o anúncio, como um cronograma para o destacamento ou quais tropas estariam envolvidas.
O anúncio de Trump é um novo desdobramento nos esforços do republicano de enviar a Guarda Nacional americana para cidades governadas por democratas, em justificativa da falta de segurança. Anteriormente, Trump ameaçou enviar a Guarda Nacional para Chicago, mas ainda não cumpriu, e enviou fuzileiros navais para Los Angeles.
Em uma entrevista coletiva na sexta-feira (26) à noite, o senador democrata Jeff Merkley alertou o público que Trump tentaria criar o caos. “Não mordam a isca”, disse ele. “Nossa responsabilidade é, sim, expressar nossas opiniões. Sim, protestar”, acrescentou.
Em todo o país ocorreram protestos e ações contra agentes de imigração, em particular nas chamadas jurisdições “santuário”, como Portland, que por disposição local não colaboram com as autoridades federais de imigração.
Nos últimos meses, o Departamento de Justiça iniciou procedimentos contra os “estados-santuário” de Illinois, Nova York e Colorado, bem como contra as cidades de Los Angeles e Chicago, todos governados por democratas.
Na semana passada, um homem abriu fogo em uma instalação do ICE em Dallas, um incidente que deixou um detento morto e outros dois gravemente feridos. Este foi o terceiro ataque em menos de três meses no Texas, um estado fronteiriço com o México.
Portland também já foi palco de protestos em um centro do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em meio à indignação pela repressão da imigração ilegal.
Nessa cidade também ocorreram enfrentamentos durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021), no ápice das manifestações que exigiam justiça racial após morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial branco em maio de 2020. (Estadão Conteúdo e AFP)